domingo, 8 de janeiro de 2012

Algumas pontos sobre a Bíblia

Um Livro escrito em mutirão
Hoje qualquer pessoUm Livro escrito em mutirão a tem acesso ao Livro mais famoso do mundo: a Bíblia Sagrada. Ela já foi traduzida para todas as línguas (aproximadamente em 1685 idiomas).
A Bíblia foi escrita por partes e em diversas etapas. Começou a ser escrita, mais ou menos, pelo ano 1250 antes de Cristo - no tempo de Moisés - quando o faraó Ramsés II governava o Egito. A última parte da Bíblia foi escrita no final da vida do evangelista e apóstolo São João, por volta do ano 100 depois de Cristo. Portanto, foram necessários 1350 anos para a Bíblia ser escrita.
O Museu Britânico e a Biblioteca do Vaticano guardam as cópias mais antigas da Bíblia.

No que foi escrita a Bíblia?
No tempo que foi escrita a Bíblia não existia papel como hoje, muito menos as máquinas impressoras. A Bíblia foi escrita à mão, e em diversos materiais, como cerâmica, papiro e pergaminho.

CERÂMICA: conhecida como a arte mais antiga da humanidade. O barro servia para fazer desde vasos, até chapas, nas quais se escrevia. Muitos textos bíblicos foram escritos nesses " tijolos".
PAPIRO: planta originária do Egito. Nascia e crescia espontaneamente às margens do Rio Nilo, chegando até a altura de 4 metros. Do Egito o papiro passou para a Síria, Sicília e Palestina (onde foi escrita a Bíblia). Do papiro era feita uma espécie de folha de papel para nela se escrever. Seu caniço era aberto em tiras e prensado ainda úmido. O papiro era ainda usado na fabricação de barcos e cestos. Dizem que 3.000 a.C os egípcios já escreviam no papiro. Tais folhas eram escritas só de um lado e depois guardadas em rolos. Daí que veio a palavra BÍBLIA. A folha tirada do caule do papiro chamava-se BIBLOS.
BIBLOS Livro (plural de Biblos = BÍBLIA)
BÍBLIA  os livros ou coleção de livros.
PERGAMINHO: feito de couro curtido de carneiro. Começou a ser usado como "papel" na cidade de Pérgamo, pelo rei Éumens II 200 a.C. Pérgamo era uma importante cidade da Ásia Menor. Os egípcios, com inveja da grande importância da biblioteca de Pérgamo, não quiseram mais vender papiro para os moradores daquela cidade. Por isso, o rei de Pérgamo se viu obrigado a usar outro material para a escrita, que foi a pele de ovelha. O pergaminho se espalhou rapidamente para outras regiões.
Os pergaminhos, assim como as folhas de papiro, não eram "encadernados" num livro como fazemos hoje. Os antigos ligavam umas folhas às outras e faziam "rolos".

Como a Bíblia está dividida e em que língua foi escrita?
A Bíblia divide-se em duas (2) grandes partes: Antigo Testamento (AT) e Novo Testamento (NT).
ANTIGO TESTAMENTO: é formado por 46 livros escritos antes de Cristo. Todo o Antigo Testamento foi escrito em hebraico ou aramaico, menos o Livro da Sabedoria, I e II Macabeus e trechos dos Livros de Daniel e de Ester, que foram escritos em grego.
NOVO TESTAMENTO: formado por 27 livros que contam a vida de Jesus e a formação da Igreja. O Novo Testamento foi escrito em grego, menos o Evangelho de São Mateus que foi escrito em aramaico.
Portanto a Bíblia é formada por 73 livros. Sendo 46 Livros no AT + 27 Livros no NT
Bíblia = Livros
O hebraico era uma língua do Povo Hebreu ou Povo de Deus. Era especialmente religiosa;
O aramaico era uma língua usada no meio diplomático.
No tempo de Jesus já não se usava mais o hebraico e sim o aramaico.
Na Bíblia a palavra TESTAMENTO tem o sentido de ALIANÇA ANTIGA ALIANÇA e NOVA ALIANÇA.
Toda a Bíblia gira em torno da Aliança que Deus fez com seu povo.
ALIANÇA - é um contrato muito especial. Um pacto de amor entre as pessoas. Um compromisso de fidelidade entre Deus e os homens.
No Antigo Testamento essa Aliança foi selada com um sinal visível.
Ex: Decálogo  Dez Mandamentos.
A Aliança foi gravada na pedra e selada com o sangue dos animais.
No Novo Testamento a Nova Aliança é gravada no Espírito e selada com o Sangue de Jesus. A Nova Aliança ao contrário da Antiga Aliança que era feita somente com o Povo de Israel, é uma Aliança Universal, aberta a todos os homens que aceitam a proposta da Salvação trazida por Jesus.
A Antiga Aliança é a promessa; a Nova é a sua realização. Cristo é a plena realização da Antiga e Nova Alianças. Ele é o "Alfa" e o "Ômega" (Alfa e Ômega são a primeira e a última letra do alfabeto grego). Significa que Jesus é o começo e fim de todas as coisas.

"Muitos Livros" num só Livro
A Bíblia é um livro de volume único, que reúne muitos assuntos diferentes. A cada um desses assuntos dá-se o nome de Livros. Exemplo: há um trecho da Bíblia que fala da saída do povo de Deus do Egito - Livro do Êxodo (a palavra Êxodo significa saída).

De onde é tirado o nome ou o título do livro: O nome é tirado de diversos lugares e de vários modos:
Assunto contido no Livro. Ex: Livro da Sabedoria;
Nome do autor do Livro. Ex: I Carta de São Pedro;
Nome da comunidade para a qual o Livro foi escrito. Ex: Carta aos Romanos;
Nome do personagem central em torno do Livro. Ex: Livro de Josué.
Bíblia, o Livro inspirado por Deus.
O principal Autor da Bíblia é DEUS. Os escritores sagrados (homens) registraram suas experiências de fé e de vida, inspirados por Deus. Antes desses Livros serem registrados - TRADIÇÃO ESCRITA - tais experiências eram passadas oralmente de geração em geração - TRADIÇÃO ORAL.
"Toda a Escritura é inspirada por Deus
e útil para ensinar e para convencer, para corrigir
e para educar na justiça, a fim de que o homem
de Deus seja perfeito e preparado para as boas obras."
(2 Tm 3, 16-17)".

HAGIÓGRAFO: é aquele que escreve a Palavra de Deus. Ele é inspirado pelo Espírito Santo.
Quando falamos em Livros Inspirados, entendemos aqueles Livros que formam a Bíblia Sagrada. São os 73 Livros, reconhecidos oficialmente pela Igreja como tais. São chamados Livros Canônicos. Essa inspiração para escrever Livros da Bíblia já foi encerrada no tempo dos Apóstolos. Agora não se acrescenta mais nenhum Livro.

LIVROS APÓCRIFOS: São os Livros não inspirados. Também não quer dizer que sejam falsos. São até piedosos e edificantes. Seus escritos estão misturados com lendas e muita imaginação. Não fazem parte dos Livros Canônicos.
Modo de falar dos hebreus
Precisamos ter bem claro que os escritores da Bíblia eram pessoas simples, diferentes dos gregos e latinos, que eram desenvolvidos na filosofia e usavam uma linguagem racional. O povo de Deus usava uma linguagem bem concreta, personificando seu pensamento.
Ex: "humanidade" = carne (Gn. 6, 12); Para dizer que a mulher tinha a mesma natureza humana do homem, Adão se expressou com esta linguagem: (Gn 2,23) - "Eis agora aqui, o osso de meus ossos e a carne da minha carne".
Quem não leva em conta essas coisas próprias da língua do povo que escreveu a Bíblia, não vai entender a Palavra de Deus.

A palavra "irmão" e os hebraísmos
Os orientais gostavam muito de usar provérbios. Recorriam as hipérboles (expressões exageradas).
Ex: "É mais fácil um camelo passar no fundo de uma agulha, do que um rico entrar no reino dos céus".( Mt. 19, 24).
Outra coisa que precisamos entender são os "HEBRAÍSMOS", ou seja, certas expressões próprias da língua hebraica que não tem tradução em outras línguas. Ex: alguém ama uma pessoa mais que a outra - ama uma pessoa e odeia a outra (Lc. 14, 26).
Precisamos notar também a palavra "IRMÃO". No hebraico não existem as palavras "primos, tio, tia, sobrinhos, etc." Qualquer parentesco usa-se a palavra Irmão.
Ex: Mt. 13, 55-56; Mt. 12, 48; Gn. 11, 27-28; Gn. 13, 8

VERDADES E FUNDAMENTOS DE NOSSA FÉ


DEUS
Em toda a história da humanidade o homem não cessa de buscar a Deus. Esta busca se dá através das orações, sacrifícios, cultos, meditações, ações, entre outras formas. Mas como podemos conhecer a Deus, se nunca O vimos?
Podemos conhecer a Deus mediante Suas obras e mediante a nossa Fé. A fé é a resposta do homem a Deus que se revela e a ele se doa, trazendo ao mesmo tempo uma luz superabundante ao homem em busca do sentido último de sua vida. Como podemos falar de Deus?
Nosso conhecimento de Deus é tão limitado, como também é limitada nossa linguagem sobre Deus. Só podemos falar de Deus através das criaturas vivas ou dos recursos naturais que conhecemos, e segundo nosso modo humano limitado de conhecer e pensar.
De qualquer forma, temos que nos lembrar e ter sempre conosco, dentro de nossos corações, que todas as criaturas trazem em si uma certa semelhança com Deus. O homem guarda características tão dignas como a verdade, a bondade, a beleza, a caridade, o amor...Tais características não podem ter outro autor senão o Todo Poderoso. Todas estas características contemplam, portanto, o Seu Autor.
Assim como uma obra de arte reflete sempre, de alguma forma, o seu autor, também nos devemos refletir nosso Criador. "Sem o Criador a criatura se esvai".
Como entender Deus Criador?
Deus criou o mundo segundo Sua sabedoria. O mundo procede da vontade livre de Deus que quis fazer as criaturas participarem do Seu Ser, da Sua sabedoria e da sua bondade. Que haveria de extraordinário se Deus tivesse tirado o mundo de uma matéria preexistente? Quando se dá um material a um artesão, ele faz do material tudo o que quiser e souber. Se este fato confere a este artesão um lado criador, tanto mais será nada para criar tudo o que Sua Vontade e Sabedoria desejam. Deus parte do Nada e cria o mundo, dentro dele, o homem.
Uma vez que Deus pôde criar do nada, pode, através do Espírito Santo, dar vida da alma aos homens, com o objetivo de mantê-los sempre junto Dele, mas ao mesmo tempo, deixando o homem livre para escolher essa união. Já que pela sua palavra pôde fazer resplandecer a luz a partir das trevas, pode também dar a luz da fé àqueles que a desconhecem.
Dessa forma, a criação é uma obra querida por Deus como um dom que foi dirigido ao homem; como uma herança que lhe é destinada e confiada.
Entretanto, Deus transcende a criação, pois é infinitamente maior que todas as Suas obras. Por ser o Criador soberano e livre, causa primeira de tudo o que existe, Ele está presente no mais intimo das suas criaturas. Segundo as sábias e inspiradas palavras de Santo Agostinho: "Ele é maior do que aquilo que há de maior em mim e mais íntimo do que aquilo que há de mais intimo em mim".
Deus mantém e sustenta a criação, pois não abandona a sua criatura a ela mesma. Não somente lhe dá o ser e a existência, mas também a sustenta a todo instante e lhe dá o livre-arbítrio. Reconhecer esta dependência completa em relação ao Criador é uma fonte de sabedoria e liberdade, de alegria e confiança.
Os estudos sobre Deus (assuntos da Teologia) são elaborados considerando Deus na Unidade da Natureza e na Trindade das Pessoas.
Na Unidade da Natureza, o estudo de Deus é dividido em três partes: a Existência, a Essência e os Atributos. Cada uma destas características existem em Deus ao mesmo tempo e só foram separadas para serem melhor explicadas e compreendidas.

 A Existência
É um artigo de fé e nos abre uma dupla possibilidade de conhecer a Deus: Uma forma natural e uma forma sobrenatural.

Forma Natural: "Encontra-se Deus por meio da reflexão do mundo e em nós mesmos" (São Paulo).
Uma das maiores comprovações sobre a Existência de Deus é a tendência dos homens pela busca da felicidade. Em cada homem esta necessidade não pode ser satisfeita apenas pelo mundo e pelo seus bens. Portanto, segundo Santo Agostinho, é preciso que haja um bem eterno capaz de satisfazê-la e este bem é Deus.
O conhecimento de Deus pela forma natural baseia-se pelo fato de que como não vemos a Deus, O conhecemos por meio de comparações devido às suas obras, pois não encontramos na Terra a essência de Deus, mas sim suas obras. É através de suas criações que conhecemos que Deus existe, como sua causa.
Forma Sobrenatural: "Deus é para nós que cremos um 'Deus desconhecido' ainda que à luz da fé o conheçam muito melhor do que à luz da razão" (Santo Tomaz de Aquino).
Segundo esta forma de conhecimento, crê-se em Deus em virtude de uma revelação sobrenatural que é dada por meio da fé. A comunicação de Deus conosco e sua manifestação dá-se por meio das graças.
 A Essência
Estuda o ser de Deus, sendo que a Existência e a Essência são inseparáveis em Deus. A essência de Deus é compreendida através da revelação, onde Deus se revela e se dá conhecer aos homens.

 Os Atributos
São as características através das quais podemos conhecer a Deus e distingui-lo das criaturas. São todas as perfeições existentes em Deus, como por exemplo:

Deus é UNO: a unidade de Deus é um dogma da Igreja. É entendido como uma unidade do indivíduo levando ao monoteísmo. Este atributo foi mencionado em várias passagens: "Vede que sou Eu somente e não há outro Deus exceto Eu". (Dt 32, 39) "Houve Israel, o Senhor teu Deus é o único Deus". (Mc 12, 29) 

Deus é SIMPLES (PURO): em Deus nada se acrescenta ou se tira. A simplicidade de Deus é entendida como um Deus livre de qualquer multiplicidade e dispersões próprias das outras criaturas. É Deus em sua puríssima espiritualidade. Como exemplo, podemos citar uma passagem onde Jesus atribui a Deus uma figura humana ao chamado PAI e ao mesmo tempo lhe atribui estado e morada acima de tudo o que é material.

Deus é IMUTÁVEL: Deus foi, é, sempre será o mesmo, com sua perfeição e seu amor sem limites. Segundo Santo Tomaz de Aquino: "Só Deus é".

Deus é ETERNO: Deus não teve início e não terá fim. "O Senhor é um Deus Eterno que criou os extremos da Terra e que não se cansa nem se esgota". (Is 40, 28)

Deus é ONIPRESENTE: a onipresença de Deus nos oferece a possibilidade de nos unirmos espiritualmente a Ele em qualquer tempo e condição e em qualquer lugar. Deus está sempre conosco. Entretanto, de que serve Deus estar perto de nós se nós estivermos longe Dele? Por isso em sua Bondade Infinita ele nos dá sua Onipresença e nós, com nossa Fé, podemos encontrá-lo sempre que quisermos.

Deus é ONISCIENTE: Deus tudo sabe. A revelação é a maior prova da onisciência de Deus.

Deus é ONIPOTENTE: Deus tudo pode. Algumas passagens revelam com exatidão esse atributo de Deus: "Para os homens isto é impossível, mas para Deus tudo é possível". (Mt 19, 25-26) "Pai, tudo Te é possível". (Mt 14, 36)

Quem não se sente pasmo, surpreso, arrebatado, maravilhado, com a observação de um céu estrelado e da imensidão do universo?
 Tais coisas nada mais são da que frutos da Onipotência Divina. Quem deu a vida a estes corpos celestes?
 Às propriedades e forças?
Quem lhes indicou o caminho e a finalidade?
Baseando-se apenas nessa observação, como se pode recusar inserir-se na harmonia desejada pelo Todo-Poderoso?

Jesus Cristo
Jesus significa Deus Salva. Jesus nasceu em Belém, na Judéia, no ano 1 de nossa era. Sua mãe é Maria e seu pai adotivo José. Seus avós maternos foram Joaquim e Ana.
A palavra Cristo do latim Christus ou Christos é semelhante à palavra Messias (em hebraico), que significa Ungido. Portanto, Cristo significa Ungido do Senhor, aquele que recebeu a Unção com óleo. O derrame com óleo sobre a cabeça de alguém significava a consagração de um homem por Deus, como profeta, sacerdote e rei.
A vida de Jesus, seus ensinamentos, obras e palavras foram registradas nos Evangelhos (Evangelho vem do grego Evangelion e significa boa nova, boas notícias). É como foi chamada a mensagem de salvação e de redenção que Jesus trouxe ao mundo.

O estilo do ensinamento de Jesus.
Na época de Jesus, a palavra escrita ainda não era facilmente disponível para a comunicação em massa. Então, tornava-se essencial que um mestre apresentasse seus ensinamentos de modo a serem claramente compreendidos e memorizados. Isto exigia que o mestre fosse ao mesmo tempo um poeta e um contador de histórias, e Jesus sem sombra de dúvidas, dominava ambos talentos.
As parábolas cheias de vida tirada da natureza ou essência humana são bem conhecidas e constituíram a principal forma de ensinamento de Jesus. Elas incitavam os ouvintes para pensar e descobrir diversos níveis de significados e aplicações. 

Os principais ensinamentos.
Dentro dos ensinamentos propostos por Jesus, existem dois temas predominantes: A Verdade e Realidade e A Compreensão da Pessoa de Jesus.

A Verdade e Realidade: A Realidade que Jesus veio proclamar tem sido traduzida em Reino; Jesus proclamou o Reino de Deus ou o Reino dos Céus. Não apenas proclamou, mas o inaugurou quando deixou claro que "Um novo estado de coisas nasceu para o ser-humano". Muitas foram às parábolas contadas sobre o Reino de Deus; dentre elas Jesus disse: "O Reino dos Céus é como um mercador em busca de pérolas finas que, encontrando uma de grande valor, vai e vende tudo o que tem e a compra".
"O Reino de Deus não vem como sinais que possam ser observados, nem se poderá dizer: 'Eis o Reino aqui' ou 'Lá está o Reino', pois o Reino de Deus está no meio de vocês".
Com este tema, Jesus deixa evidente que temos que estar bem conosco mesmos com nossos irmãos e com Deus, pois senão não podemos viver no Reino dos Céus.

A Pessoa de Jesus: Jesus referiu-se a si mesmo como o Filho do Homem. Essa expressão pode apresentar várias interpretações, mas pode ser compreendida como sendo uma intervenção pessoal de Deus nos assuntos humanos, não tanto através da figura de um mensageiro, mas sim como a do inaugurador de um estado de coisas entre os homens em que o Reino de Deus está efetivamente presente. Uma das passagens em que Jesus se refere ao Filho do Homem: "O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate de muitos".

Seguir Jesus: o preço
Os Evangelhos contém relatos de um período no qual Jesus passou no deserto em solidão voluntária e onde ele enfrentou e resistiu a diversas tentações. Se o próprio Filho de Deus sofreu tentações quanto mais nós as sofremos!
Entretanto, as tentações de Jesus podem ser vistas por nós como meios fáceis e mesquinhos de se estabelecer o Reino. Quando Jesus reconheceu as tentações como tal, ele viu-se face a face com o único caminho, o da entrega total, sem qualquer recompensa ou retorno: o caminho do Amor puro e sem sentimentalismo.
Jesus não oferecia nenhum atrativo fácil. O preço para ser seu discípulo não haveria de ser alto nem baixo, mas absoluto. Ele usou vários meios para transmitir esse fato simples: usou poemas, parábolas e falou diretamente aos seus discípulos, especificando qual seria o preço para si e, conseqüentemente, para eles.
Jesus era às vezes popular ou não. As autoridades de modo geral desconfiavam dele e o temiam. O povo de Israel não acreditou que Ele era de fato o Messias Prometido, pois esperava alguém glorioso e poderoso politicamente para libertá-los dos romanos; queriam um Messias que lhes desse uma nação livre e poderosa.
Por outro lado; Jesus era movido pelo amor e pela vontade de Deus. O amor exigia uma reação amorosa aos sofrimentos do povo e Jesus com seu poder de cura era clamorosamente ansiado, requisitado. Ele curava porque o amor exigia e pedia aos que curava para agradecerem a Deus e ficarem em silêncio.
Então, seguir Jesus é uma opção e a livre entrega de si é a única expressão de amor que existe; Jesus nos quer por inteiro, sem restrições, sem senão, sem porém. Algumas de suas palavras mostram as atitudes esperadas de um seguidor de Cristo:
 "Se alguém esbofeteia sua face direita, volta-lhe também à esquerda; se alguém quer litigar com você para tirar-lhe a túnica, deixe-lhe também a camisa; se alguém o forçar a caminhar uma milha, ande com ele duas".
"Amem aos seus inimigos; façam o bem a quem os odeia; abençoem os que os maldizem; orem pelos que os injuriam".
"Aquele que não toma a sua cruz e me segue não é digno de mim".
Finalmente, analisando a vida de Jesus, constata-se que sua idéia-força, ou seja, o motivo de sua existência era a realização da vontade do Pai. As primeiras palavras de Jesus relatadas no Evangelho quando ele tinha doze anos e estava com os Doutores da Lei foram: "Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?" (Lc 2, 49).
Jesus foi o homem mais autêntico e mais realizado que existiu sobre a face da Terra que fez a vontade do Pai e, portanto fez exatamente o que deveria fazer.

 Santíssima Trindade
A Santíssima Trindade é um mistério de um só Deus em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo.

Pai que é Deus, que é Amor: somente o Pai que ama respeita a liberdade de seu filho.

Filho que é Jesus Cristo: é o Deus visível que se fez homem, nascendo da Virgem Maria para cumprir a vontade de Deus de libertar os homens do pecado. Jesus é Deus e as principais provas são:
O próprio Jesus diz-se Deus (Jo 10, 30  ; Jo   14, 7 e Lc 22, 67-70).
Os milagres eram feitos pelo próprio Jesus, e não por meio de Jesus.

Espírito Santo que é o Amor do Pai e do Filho que nos é comunicado e transmitido. Segundo o CREDO, Jesus foi concebido pelo Poder do Espírito Santo, nascido da Virgem Maria. Maria foi então convidada a conceber Jesus e a concepção de Jesus foi obra do poder do Divino Espírito Santo: "O Espírito virá sobre Ti..." A missão do Espírito Santo está sempre conjugada e ordenada à do Filho, ou seja, toda a vida de Jesus manifesta a vontade do Pai que por sua vez é manifestada pelo Espírito Santo.

Um fato dos Evangelhos é que os Apóstolos estavam com muito medo após a morte de Jesus. Foi a descida do Espírito Santo sobre eles que os transformou radicalmente e deu coragem para que saíssem anunciando o Evangelho. O mesmo Espírito Santo que deu forças aos apóstolos e mártires é recebido no sacramento da Crisma, e aí está a importância deste sacramento no fortalecimento da Fé e na profissão do Cristianismo de cada um.

O Dogma da Santíssima Trindade.
A Trindade é Una; não professamos três deuses, mas um só Deus em três Pessoas. Cada uma das três Pessoas é a substância, a essência ou a natureza divina, As pessoas divinas são distintas entre si pela sua relação de origem: o Pai gera; o Filho é gerado; o Espírito Santo é quem procede. Ou seja, ao Pai atribui-se a criação ao Filho atribui-se a Redenção e ao Espírito Santo atribui-se a Santificação.
Resumindo, o mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. Só Deus pode nos dar a conhecer, revelando-se como Pai, Filho e Espírito Santo.
Pela graça do Batismo "Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" somos chamados a compartilhar da vida da Santíssima Trindade, aqui na Terra na obscuridade de nossa fé e para além da morte, na luz eterna. Pela Confirmação ou Crisma, como o próprio nome diz, somos chamados a confirmar essa fé ora recebida para que, além de vivermos segundo a Palavra de Deus, darmos testemunho dela e levá-la por toda à parte.

 
A Fé não é apenas uma simples crença em algo superior, mas é uma adesão pessoal a um Deus pessoa que exige compromisso. O homem é livre para decidir se aceita ou não a Deus e ao seu convite. Ao aderir a Deus e exercer a fé, o homem assume o desafio da fé, aceitando também os Mandamentos, a vivência sacramental e a fidelidade aos ensinamentos do evangelho. A partir daí, o homem passa a ter um compromisso que irá orientar toda a sua vida.
Como exemplo de homem de fé, pode-se citar Abraão, que baseou sua vida e sua caminhada, bem como suas aspirações, na promessa de Deus, quando a pedido de Deus saiu de sua terra em busca do local prometido por Deus (Gn 12, 1-12) ou ainda quando Deus o provou pedindo-lhe seu único filho em sacrifício (Gn 22, 2).
Seguir a vontade de Deus não é escravidão, mas sim liberdade. Quanto mais aceitamos Deus em nossa vida, mais livres somos, e só podemos aceitar Deus sem qualquer limite quando temos fé.
A mensagem de Jesus demonstra que a fé é o princípio da vida religiosa. Cristo começa sua pregação exigindo a fé de seus ouvintes: "Convertei-vos e crede na Boa-Nova" (Mc 1, 15). A norma de salvação é acreditar no Evangelho e ser adepto de Cristo.
A fé então é um encontro com Cristo. É uma aceitação tão plena Dele que vai nos transformando Nele. Acreditar em Deus é colaborar no seu plano de crescimento, respeitando suas leis. Aceitar a Deus é confiar Nele, acreditar em Seu amor por nós e deixar que Ele aja em nós.
A fé não se mede pela inteligência e não é um sentimento ou uma tradição. No dia-a-dia, a fé é aquela entrega incondicional e amorosa de si a Deus Pai, Filho e Espírito Santo:
Nos entregamos ao Pai porque somos suas criaturas;
Nos entregamos ao Filho para seguir seus exemplos e viver como filhos de Deus;
Nos entregamos ao Espírito Santo para que Ele nos impulsione e estimule na prática do bem.
Crer é dizer sim a Deus e confiar Nele de maneira absoluta; e a fé nos compromete a realizar em nós, momento por momento, a vontade de Deus como ela se manifesta, assim como fez Jesus Cristo. Dizer-se cristão, fazer promessas, freqüentar eventos religiosos, usar distintivos, não é necessariamente sinal de Fé. Para responder e refletir:
Quem é Deus para você?
Quais são os atributos de Deus? O que significam?
No dia-a-dia é possível notar a presença de Deus? Como?
Como atuar o mandato de Jesus: “Tome sua cruz e siga-me” nos dias de hoje?
Quem é Jesus Cristo para você?
Quem é o Espírito Santo para você?
O que você espera da Crisma? Você já pensou se precisa ou em que precisa mudar sua vida?
Você já sentiu a presença do Espírito Santo em sua vida? Quando?
Procure notar quantas vezes em uma Missa, o celebrante pronuncia a palavra Espírito Santo. Por que?
O que é ter fé? Tenho fé?

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A ÁGUA NOSSA DE CADA DIA - Campos Belos Goiás

Luiz Marles

Estamos sendo condenados a viver com a escassez da água potável. E a vida do nosso planeta depende basicamente de dois fatores: Água e Sol. A água tem em grande quantidade, porém nem toda está disponível para o consumo humano. E por ser considerado um solvente universal ela e bastante utilizada. Não da para viver sem água. Com isso o que podemos fazer pelos rios da nossa cidade que antes eram tão bem utilizados? Como já está a nossa consciência em relação às desastrosas ações que praticamos junto a eles?                                                                                                
Temos em nossa consciência o peso enorme dos problemas que causamos. E é isso que faz com que 20% da população brasileira não tenha acesso a água potável, 50% das casas não têm coleta de esgoto. Assim, a saúde de todos fica comprometida, e se não tornarmos uma medida revolucionaria o problema agravara ainda mais, e em pouco tempo metade da população mundial estará sofrendo com  a escassez da água. Lembre-se a água é considerado um bem público, porém não está sendo tão pública como deveria, e o nosso país que detém uma riqueza hídrica invejável, também esta correndo um enorme risco pois as águas não se renovam é um ciclo contínuo.preservar e o que temos e o mais viável.
Em conseqüência do respeito para com a natureza estamos sendo aniquilados como resposta as nossas ações praticadas junto a ela. E, também, a limpeza de nosso corpo, de nossa casa e de nossas roupas. Além disso, ela tem participação numa atividade social extremamente sadia: o lazer. Quem não gosta de aproveitar um tempo de folga e em dias quentes ir a beira de um rio tomar um bom banho? Porém há necessidade de pensarmos sobre os nossos rios e sua conservação. O rio bezerra, por exemplo, tão útil e aproveitado por todos e está precisando da nossa ajuda. Pense no que você pode fazer por ele
Não podemos ficar desprovidos da proteção materna. Assim como os povos indígenas chamam a terra de mãe, nós também devemos ter esse mesmo apego para com ela, pois ao protegê-la seremos ao mesmo tempo abençoados e recompensados. No entanto o desperdício de água chega muitas vezes a doer mais do que uma queda. Por mais que tenhamos muita água em nossos reservatórios ela pode um dia faltar, pois é finita e urge um cuidado mais do que especial. Para muitos a conservação dos mananciais que temos é um fardo pesadíssimo, e o nosso corpo, que constituído de mais de 70% de líquido agradecerá se soubermos ter zelo por esse precioso recurso, haja vista que não somos os únicos que dependem da água. As plantas e outros animais também precisam dela para sobreviver. Esse e um dos motivos pelo qual temos de usá-la com consciência, pois não somos dono do planeta terra. Precisamos da ajuda de todos aqueles que desejam um mundo melhor a todos os seres que nele habitam. Os nossos rios estão praticamente secos estamos sendo inimigo do nosso bem-estar. Deus que ouve o lamento dos povos e sempre os atendem vem ao nosso encontro alertar-nos de que a água é um bem finito e que nossa face mostrará fraqueza não apenas de fome, mas também de sede.
A cada momento somos empurrados para um abismo cada vez maior, pois vivemos sob a cultura do capital e da economia de mercado capitalista. A tendência desse modo de produção é tornar água um meio de lucratividade. Assim só terá água potável o consumidor-pagador, quem não tiver condição ficará de fora, o que não e correto, visto que sendo um bem universal a água deve ser direito de todo cidadão e não simplesmente daqueles que detém poder aquisitivo maior. Esse é um processo de exclusão inicial e somos responsáveis para erradicá-lo antes que prolifere. Todos os dias milhões de litros de água potável são desperdiçados pelo país afora. A mesma que poderia esta sendo utilizada para muitas outras coisas: beber, cozinhar, lavar, banhar, e etc. é nesta crucificação devido à “crise de água”. Ela que é tão útil para o consumo humano, irrigação, obtenção de energia, navegação, pesca, indústria, lazer e turismo.
Por quase todos os lugares que passamos encontramos as margens dos rios desmatadas. Talvez aqueles que promovem tal destruição não estão conscientizados da importância de se preservar as matas para que a água continue abundante. Tudo isso porque como prevê a ONU, em 2050 faltara água potável para 40% da humanidade, outros especialistas têm um discurso ainda mais assombroso, onde afirmam que esse problema poderá ocorrer a partir de 2025. Precisamos de uma boa cobertura, tendo em vista que somos um dos seres mais frágeis do planeta. Muitas vezes agimos como verdadeiros assassinos da natureza. Uma vez que tínhamos rios que eram utilizados pela nossa população e hoje são esquecidos porque quisemos assim. Podemos ver a condição que se encontra o córrego ferreirinha, que divide o setor central do aeroporto. O córrego salobro e o bica salobro caíram num esquecimento e muitos não sabem onde são. De todos eles o que ainda tem um pouco de água e o córrego das almas, aquele que recebe todos os córregos da cidade, mesmo assim, não tem a qualidade que desejamos. Em suma matamos os nossos mananciais e aos poucos seremos também derrotados caso não façamos nada. É hora do poder publico perceber isso, e, também tomar uma posição favorável a conservação dos rios e da vida dos seus munícipes, ou seja, todos nos.
       Muitas lágrimas descem dos rostos daqueles que anseiam por um copo com água para beber e não encontram. Alguns lugares as pessoas tomam o esgoto para saciar-se. Aqui temos com fartura, talvez seja por isso a causa do desperdício e não nos comprometemos com a conservação dos nossos rios. Porém, não estamos fora desse risco de termos que tratar o esgoto para bebê-lo. Precisamos refletir e participar de corpo e de alma dessa campanha.
E preciso cuidado, solidariedade e responsabilidade para que nossos sonhos de dias melhores não sejam sepultados. Nem tudo esta perdido, devemos ter esperança, pois somos capazes de transformar essa caótica situação num momento de euforia e satisfação plena. Para que tudo isso ocorra depende de nos. Lutar para preservar, melhorando assim a qualidade da água que recebemos em nossas casas. No ensejo, e importante ressaltar que recebemos uma água que em termos de qualidade e uma das quatro melhores do estado apesar de não ter um sabor que agrada a todos.
Estamos caindo em nossa própria iniqüidade, causando enormes degradações aos leitos de vários rios. Quando em um passeio, nem sempre as pessoas preocupam em recolher o lixo lá produzido, e assim nesse ciclo que se repete agrava a cada dia. Tudo isso ocorre porque ainda não descobrimos alguns valores da água que precisam ser respeitados, tais como: o valor biológico: a água não e vida, mas sem ela a vida não existe; o valor social: uma sociedade só e saudável, harmônica em paz quando há água de qualidade para todos os cidadãos e o valor simbólico e espiritual: muitos povos e religiões utilizam a água como símbolo de seus ritos para falar do sagrado e de Deus. Precisamos reconhecer que mesmo sendo criaturas do século XXI, os elementos da natureza precisam ser reverenciados, pois dependemos deles e sabemos que são primordiais para a nossa vida. Aqui em nossa cidade, lugares que antes eram ricos em água estão secos e os córregos praticamente só têm o nome. Como por exemplo, o Córrego Buritis onde tínhamos bons lugares para tomar banho: Poção, Vinte e Dois, a Lajinha, o Poço dos Buritis e muitos outros lugares. No Setor Industrial, que às vezes atolávamos ate se estivéssemos de a pé, tem o Córrego Quineira, que não da para utilizá-lo como antes, pois acabamos com ele.
E é assim que segue. O que iremos fazer? A nossa ação revela nossa personalidade. Urge então uma tomada de posição.
                          
 
                                                                                                             

domingo, 18 de dezembro de 2011

Educação em Goiás: "Muito barulho por nada" ..


LUIZ DE AQUINO

"Muito barulho por nada" (*)

Divirto-me vendo jovens xingando-nos – a nós, os idosos – de velhos. Ninguém quer morrer… mas esses jovens, parece-me, querem viver muito e continuar jovens. Isso é tão impossível quanto uma mulher ficar meio grávida. Eu, particularmente, gosto muito da minha idade; sempre tive uma alegria enorme ao fazer aniversários e, assim, acumular informações que transformo em conhecimento. A isso, algumas pessoas chamam de experiências, e experiências podem ser as que nos são passadas (e que processamos) ou as que vivemos.

De todas as minhas experiências, orgulho-me, muito, das que adquiri no exercício dos trabalhos a que me dediquei, como profissional ou como amador. E ao longo da vida fiz-me, no início, cobrador de títulos, vendedor de livros em domicílios, bancário... E “escolei-me” para ser professor e jornalista, aprimorando o prazer de ler e escrever, de saber conversar e orientar os mais moços, tanto como professor quanto como pai, e como arauto dos fatos, na condição de jornalista em funções de repórter, fotógrafo e editor.

Ainda nos tempos de universitário e professor na rede estadual e escolas privadas, o salário “pró-labore” no Estado equivalia a 150% do salário-mínimo da época. Mais tarde, como jornalista, tínhamos um piso salarial equivalente a oito vezes a base salarial. Hoje, um professor é remunerado, na rede pública, com cerca de dois “mínimos”, ainda que, para ser professor, exijam o diploma de formação superior e aprovação em concurso público.

Por estes dias, o governo de Goiás anuncia, com muita pirotecnia (é uma metáfora, claro) que cumprirá o piso nacional para os professores – mas, em troca, revoga as gratificações por especializações e institui 10% a mais para quem tem Mestrado e 20% para os que têm Doutorado.

Eu li direito? Eu ouvi direito?

Estranho; estranho muito mesmo! Quanto custa, em prestações mensais, um Mestrado? E um Doutorado? (As maiúsculas são intencionais e dispensam explicações) E o custo pessoal, o tempo que se rouba do lazer e das obrigações familiares, não conta? Dois a três anos no Mestrado para acrescentar pouco mais de 130 reais no contracheque? Ou cerca de 250 pelos quatro a cinco anos de doutorado?

Estranho muito, também, as autoridades da Educação festejarem o fato de cumprirem a lei que manda pagar um piso. Deveriam cumprir isso silenciosamente – e sem cortar as gratificações existentes.

Festejam o fato de instituir-se em Goiás as eleições para diretores de unidades escolares. E falam em meritocracia – o que me parece antagônico. Nos distantes tempos dos diretores nomeados, havia, sim, indicações políticas, mas os diretores demonstravam competência ou perdiam o cargo. A eleição cria um clima de campanha em que (ninguém me contou; eu vi e ouvi!) professores candidatos disputavam os votos oferecendo benesses como a liberação dos uniformes – medida “conquistada” pelos alunos por medida equivocada de uma autoridade judiciária (isso acontece em quase todas as escolas públicas; menos nas da Polícia Militar) – até a tolerância do atraso em duas aulas. É uma nítida compra de voto não em espécie ou bens materiais, mas por uma intenção antecipada de prevaricação.

Piso salarial de pouco mais de 1.300 reais! Um disparate!... Festejar isso? Festejem coisas melhores – como a restauração da dignidade de escolas como o Lyceu de Goiânia (que deve voltar a ser integrado ao da Cidade de Goiás, respeitando a História), o Instituto de Educação (que, comenta-se por aí, já está sucateado e, a qualquer momento, será alienado para que ali se erga um grande condomínio residencial vertical, para que – aí, sim – as grandes construtoras festejem!), o José Carlos de Almeida (antigo Grupo Modelo, pioneiro na cidade) e o Pedro Gomes, de tantas glórias!

Devíamos festejar a instituição da jornada integral, tanto para alunos quanto para professores. Um piso salarial três vezes maior que isso, com jornada de 40 horas, numa só escola; aí o professor elaboraria projetos e planos, daria aulas, faria avaliações e correções e não precisaria ter dois ou mais empregos e, por seu poder aquisitivo, seria melhor situado na sociedade – ou seja, recuperaria o respeito que, antes, a sociedade brasileira dedicava aos mestres.

(*) Com licença, William Shakespeare...

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