quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A Educação

Profª  Lídia
 
 Educação
Etimologicamente, educar vem do latim educare, tirar de fora de, conduzir para, modificar um estado.
A educação existe desde que existe o homem, propriamente dito.
A linguagem, o trabalho, a origem da civilização e da sociedade organizada foram se alicerçando através de conhecimentos que cadfa povo foi adquirindo e pela transmissão destes conhecimentos que foram passadas de gerações para gerações.
As mudanças que foram ocorrendo em cada época trouxeram, a cada povo novas necessidades que desencadearam novos conhecimentos e métodos de passarem para as gerações futuras.
A educação informal está presente em todas as nossas relações. A educação passou a ser formal no momento que deixa de ser uma transmissão de conhecimentos de pais para filhos e passa a ter pessoas ou lugares próprios para essa finalidade.
Cada época demandou e demanda um tipo de educação e de conhecimentos específicos.
Em nossa sociedade contemporânea, ela se vê presente nas mais diversas formas, desde os mais primitivas como a família, a igreja, como nos meios mais atuais como a televisão, a mídia, computadores, imprensa em geral. Seu papel como educadora está em conduzir para uma homogeneização de gostos culturas, necessidades que massifica e conduz os indivíduos a uma alienação pretensiosa de manipulação de valores.
Neste jogo de disputas sobre as mentes humanas, a escola, como instituição formal da educação acaba tendo um papel desprivilegiado, e menos sedutor que seus concorrentes. O aluno acaba desconhecendo sua finalidade, função, pertence a ela de forma inconsciente.
O que o ensino tem realizado, porém, é a busca do conhecimento do todo pela via externa, ou seja, a realidade analisada fora de mim. O que a nova visão traz é a necessidade de se percorrer, também, o caminho inverso, isto é, recompor o todo como ele se configura em nós, em como ele nos configura, em nós encontrando suas contradições que são nossas, no que nos habilitaria a reconfigurar ao reconfigurarmo-nos, refazer ao refazermo-nos, por conhecer ao conhecermo-nos. TAVOLIERI, P.53)


Referências Bibliográficas
TAVOLIERI Filho, Renato. A Escola do Sentir – A Aliança Entre O Racional E O Emocional. Faculdade Federal de Santa Catarina. Tese de Mestrado em Engenharia de Produção. Florianópolis, 2000.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Multidisciplinaridade




multidisciplinaridade é um conjunto de disciplinas a serem trabalhadas simultaneamente, sem fazer aparecer as relações que possam existir entre elas, destinando-se a um sistema de um só nível e de objetivos únicos, sem nenhuma cooperação. A multidisciplinaridade corresponde à estrutura tradicional de currículo nas escolas, o qual encontra-se fragmentado em várias disciplinas.
De acordo com o conceito de multidisciplinaridade, recorre-se a informações de várias matérias para estudar um determinado elemento, sem a preocupação de interligar as disciplinas entre si. Assim, cada matéria contribui com informações próprias do seu campo de conhecimento, sem considerar que existe uma integração entre elas. Essa forma de relacionamento entre as disciplinas é considerada pouco eficaz para a transferência de conhecimentos, já que impede uma relação entre os vários conhecimentos.
Segundo Piaget, a multidisciplinaridade ocorre quando "a solução de um problema torna necessário obter informação de duas ou mais ciências ou setores do conhecimento sem que as disciplinas envolvidas no processo sejam elas mesmas modificadas ou enriquecidas". A multidisciplinaridade foi considerada importante para acabar com um ensino extremamente especializado, concentrado em uma única disciplina.
A origem da multidisciplinaridade encontra-se na ideia de que o conhecimento pode ser dividido em partes (disciplinas), resultado da visão cartesiana e depois cientificista, na qual a disciplina é um tipo de saber específico e possui um objeto determinado e reconhecido, bem como conhecimentos e saberes relativos a esse objeto e métodos próprios. Constitui-se, então, a partir de uma determinada subdivisão de um domínio específico do conhecimento. A tentativa de estabelecer relações entre as disciplinas é que daria origem à chamada interdisciplinaridade.
A multidisciplinaridade difere da pluridisciplinaridade porque esta, apesar de também considerar um sistema de disciplinas de um só nível, possui disciplinas justapostas situadas geralmente no mesmo nível hierárquico e agrupadas de modo a fazer aparecer as relações existentes entre elas.

Transdisciplinaridade, Interdisciplinaridade e Multidisciplinaridade
Introdução
O papel da escola, mais precisamente do ensino e da educação, sempre foi e sempre será questionado através dos tempos.Questionar-se-á não sobre a sua necessidade e importância na vida dos indivíduos, uma vez que estes temas já foram amplamente discutidos e esgotados por diversos grupos durante a história. Questionar-se-á sempre se esta, a escola, tem servido ao seu papel sociológico, propósito central, de "cunhar" indivíduos preparando-os para se posicionarem como seres sociais integrados e adaptados à convivência em grupo, à sociedade, agindo como participantes no desenvolvimento do todo. Ainda, não somente como membros destes grupos capazes de se interrelacionarem com seus entes, mas como membros qualitativos capazes de somar através de suas habilidades e conhecimentos.
Ao pontuarmos a escola, e suas responsabilidades, como algo focado na "formatação" de indivíduos para serem inseridos em grupos sociais perceberemos, claramente, de que o desafio aqui proposto para a escola é, indubitavelmente, complexo e dinâmico. Dinâmico pelo fato de se estruturar sobre um conjunto de regras e padrões, os sociais, que se apresentam em constante mudança, reflexo do próprio processo evolutivo social de cada era na qual se viverá; Complexo pelo fato de exigir de si mesma a necessidade de capacitar o indivíduo a observar a sociedade, seus problemas, relacionamentos e saberes de uma forma dinâmica, interligada, completamente dependente de causas e efeitos nas mais diversas áreas, do saber do conhecimento ao saber do relacionamento, permitindo assim, e somente assim, que estes possam ser formados com as habilidades necessários, acima descritas, para ocuparem sua posição dentro desta sociedade.
Diante do entendimento da complexidade na qual estamos inseridos percebe-se a necessidade da implantação de um raciocínio horizontalizado complementar para o estabelecimento do saber. O estudo dos problemas através de uma comunicação horizontalizada se faz necessário no intuito de maximizar o "produto social final" esperado das escolas, e mais do que isso, para a busca da democratização real do conhecimento através da libertação do pensamento, da visão e do raciocínio crítico na formação do saber individual seja ele de quem for.
Currículo e as disciplinas
O questionamento se inicia ao analisarmos a estrutura atual na qual estão inseridas as escolas e centros de pensamento crítico-criativo, os centros de ensino superior.Umas das primeiras barreiras encontradas para a implantação de um pensamento horizontalizado na construção do conhecimento esta na estrutura do currículo.
Saviani [Saviani, 2003] é categórico quando apresenta os posicionamentos de autores como Apple e Weis sobre o currículo. Para estes o foco central na estruturação do currículo esta na concretização do monopólio social sobre a sociedade através do campo educacional. Apple prossegue afirmando que esta ferramenta será estruturada através de regras não formalizadas que constituirão o que ele mesmo denominou de "currículo oculto".
Berticelli (Berticelli, 2003) e Moreira e Silva(Moreira e Silva, 1995)não destoam de Saviani ao indicar que o currículoé um local de "jogos de poder", de inclusões e exclusões, uma arena política.
Na busca da prática da horizontalização do pensamento e do estudo a presença do currículo como selecionador de conhecimentos pré-definidos se constitui como uma ferramenta castratória que limita o docente a mero reprodutor de conhecimento. São verdadeiros instrumentos que tolem o processo crítico-criativo necessário ao entendimento contextualizado e multifacetado das problemáticas presentes na vida real.
A presença do currículo formal como ferramenta norteadora do processo de ensino-aprendizado institui a fragmentação do conhecimento trazendo ao discente uma visão completamente esfacelada do item analisado e desta forma impossibilitando uma compreensão maior de mundo, de sociedade e de problemática estudada.
Em busca de uma solução Silva (Silva, 1999) propõe o abandono do currículo padrão, pré-definido utilizado atualmente, para a adoção do "currículo da sala de aula". Este, construído no trabalho diário do docente e do seu relacionamento com o meio na busca pela compreensão multifacetada da realidade vivenciada do aluno. Seria a instituição da relação dialógica real entre o professor e o aluno na construção do saber.
Na construção deste currículo informal, mas real, extraído das páginas da realidade do aluno Fazenda indica a necessidade da dissolução das barreiras entre as disciplinas buscando uma visão interdisciplinar do saber "que respeite a verdade e a relatividade de cada disciplina, tendo-se em vista um conhecer melhor" (Fazenda,1992)
Surge então a necessidade de reformular o modus operandiestabelecido através da re-análise das atuais temáticas e conseqüentemente propondo uma visão horizontalizada para a analise e pesquisa dos temas apresentados no dia-a-dia do discente surgem a multidisciplinaridade, a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade.
Multidisciplinaridade
A multidisciplinaridade é a visão menos compartilhada de todas as 3 visões. Para este, um elemento pode ser estudado por disciplinas diferentes ao mesmo tempo, contudo, não ocorrerá uma sobreposição dos seus saberes no estudo do elemento analisado. Segundo Almeida Filho (Almeida Filho, 1997) a idéia mais correta para esta visão seria a da justaposição das disciplinas cada uma cooperando dentro do seu saber para o estudo do elemento em questão. Nesta, cada professor cooperará com o estudo dentro da sua própria ótica; um estudo sob diversos ângulos, mas sem existir um rompimento entre as fronteiras das disciplinas.
Como um processo inicial rumo à tentativa de um pensamento horizontalizado entre as disciplinas, a multidisciplinaridade institui o inicio do fim da especialização do conteúdo. Para Morin (Morin, 2000) a grande dificuldade nesta linha de trabalho se encontra na difícil localização da "via de interarticulação" entre as diferentes ciências.É importante lembrar que cada uma delas possui uma linguagem própria e conceitos particulares que precisam ser traduzidos entre as linguagens.
Interdisciplinaridade
A interdisciplinaridade, segundo Saviani (Saviani, 2003) é indispensável para a implantação de uma processo inteligente de construção do currículo de sala de aula informal, realístico e integrado. Através da interdisciplinaridade o conhecimento passa de algo setorizado para um conhecimento integrado onde as disciplinas científicas interagem entre si.
Bochniak (Bochniak, 1992) afirma que a interdisciplinaridade é a forma correta de se superar a fragmentação do saber instituída no currículo formal. Através desta visão ocorrem interações recíprocas entre as disciplinas. Estas geram a troca de dados, resultados, informações e métodos.Esta perspectiva transcende a justaposição das disciplinas, é na verdade um "processo de co-participação, reciprocidade, mutualidade, diálogo que caracterizam não somente as disciplinas, mas todos os envolvidos no processo educativo"(idem).
Transdisciplinaridade
A transdisciplinaridade foi primeiramente proposta por Piaget em 1970 (PIAGET, 1970) há muitos anos, contudo, só recentemente é que esta proposta tem sido analisada e pontualmente estudada para implementação como processo de ensino/aprendizado.
Para a transdisciplinaridade as fronteiras das disciplinas são praticamente inexistentes. Há uma sobreposição tal que é impossível identificar onde um começa e onde ela termina.
"a transdisciplinaridade como uma forma de ser, saber e abordar, atravessando as fronteiras epistemológicas de cada ciência, praticando o diálogo dos saberes sem perder de vista a diversidade e a preservação da vida no planeta, construindo um texto contextualizado e personalizado de leitura de fenôminos". (Theofilo, 2000)
A importância deste novo método de analise das problemáticas sob a ótica da transdisciplinaridade pode ser constatada através da recomendação instituída pela UNESCO em sua conferência mundial para o ensino Superior (UNESCO, 1998).
Nicolescu (Nicolescu, 1996) formula a frase: "A transdisciplinaridade diz respeito ao que se encontra entre as disciplinas, através das disciplinas e para além de toda adisciplina". A esta ultima colocação entende-se "zona do espiritual e/ou sagrado".
Conclusão
O indivíduo do terceiro milênio esta exposto a problemas cada vez mais complexos. Estes podem estar ligados a própria complexidade do inter-relacionamento dentro da sociedade humana ou através do grau de especialização atingido pelo conhecimento científico da humanidade.
O fato é que o ser social deste novo milênio, caracterizado pela era da informação, do avanço tecnológico diuturno, da capacidade de interconexão em rede e de outras propriedades que caracterizam os paradigmas que constituem essa nova era, precisa encontrar na escola, seu ente social para a formação, o aparato técnico-científico-social capaz de o "cunhar" para a sua participação social.
Diante de paradigmas tão dispares quanto os que são vivenciados hoje pela humanidade, a necessidade de se repensar o processo de ensino-aprendizagem atual se faz necessário. Continuar com o processo pedagógico-histórico atualmente instituído nas escolas e centros de estudo acadêmico é somente comparável com a geração de indivíduos, e conseqüentemente, de uma sociedade, intelectualmente analfabeta e limitada.

EDGAR MORIN, O ARQUITETO DA COMPLEXIDADE



Sociólogo francês propõe a religação dos saberes com novas concepções sobre o conhecimento e a educação

Edgar Morin nasceu em 1921 em Paris. Seu nome verdadeiro é Edgar Nahoum. Fez os estudos universitários de História, Geografia e Direito na Sorbonne, onde se abordou do Partido Comunista, ao qual se filiou m 1941. Sua família é de origem judaica sefardita. A mãe de Edgar tinha um problema no coração e não podia engravidar, mas sua vontade de ser mãe era imensa, então ocultou esse problema do marido entretanto quando Edgar tinha 10 anos sua mãe morre e ele passa a ser criado pelo seu pai e pela sua tia Corinne Beressi, e como não tinha amizade pelo pai, passa a substituir a dor deixada pela falta da mãe pelos livros, é aí que nasce o espírito pesquisador de Edgar. Entre 1945 e 1948 casa- se com Violette Chapellaubeau com quem teve duas filhas: Irene e Veronique Nahum; É designado tenente-coronel e escreve seu primeiro livro intitulado “O Ano Zero da Alemanha”, dá baixa no exército; Edgar é convidado a trabalhar no jornal destinado aos prisioneiros de guerra. Teve papel ativo no movimento de resistência à ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Depois do fim da guerra, participou da ocupação da Alemanha. Em 1949, distanciou-se do PC, que o expulsou dois anos depois. Ingressou no Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), onde obteve um dos primeiros estudos etnológicos produzidos na França, sobre uma comunidade da região da Bretanha. Criou o Centro de Estudos de Comunicações de Massa e as revistas Arguments e Comunication. Em 1961 rodou o filme Crônica de um Verão em parceria com o documentarista Jean Rouch. Em seguida, fez uma série de viagens à América Latina. Em 1968 começou a lecionar na Universidade de Nanterre. Passou um ano no Instituto Salk de Estudos Biológicos em La Jolla, na Califórnia, onde acompanhou descobertas da genética. Redigiu em 1994, com o semiólogo português Lima de Freitas e o físico romeno Basarab Nicolescu, um manifesto a favor da transdisciplinaridade. Em 1998, demandou, com o governo francês, jornadas temáticas que ocasionaram o livro A Religação dos Saberes. Em 2002, a Justiça o condenou por difamação racial devido a um artigo no qual dizia que "os judeus, que foram vítimas de uma ordem impiedosa, impõem sua ordem impiedosa aos palestinos". Morin, que é judeu, pagou 1 euro como pena simbólica. Ainda diretor de pesquisas no CNRS, ele é doutor honoris causa em universidades de vários países e presidente da Associação para o Pensamento Complexo. Edgar Morin é um teórico e ativista da vida, do mundo e da educação, um educador, filosofo, sociólogo, aperfeiçoado em várias áreas do saber, um homem extraordinário que soube transformar a dor de várias perdas na vida em conhecimento, conquistando para todos os saberes e a complexidade da vida. Edgar tem um legado incomensurável de saberes, aprendizagens, lição de vida. É um educador e pesquisador que descortinou um mundo a nossa frente. 


PRÉ-HISTÓRIA DO SABER

O sociólogo francês protege a introdução da incerteza e da falibilidade na rigidez cultural do Ocidente. As restrições causadas pela compartimentação do conhecimento, de acordo com o educador, são responsáveis por manter o espírito humano em sua pré-história. Além disso, a tendência de aplicar conceitos abstratos vindos das ciências exatas e naturais ao universo humano resulta em desdém por aspectos como o ambiente, a história e a psicologia, entre outros. Um exemplo, diz o pensador, é a economia, a mais avançada das ciências sociais em termos matemáticos e a menos capaz de trabalhar com regularidades e previsões. Diante disso , a complexidade da vida mas ciências e nas atividades humanas precisa de uma recuperação imediata, portanto, Morin recomenda um pensamento crítico sobre o próprio pensar e seus métodos, o que implica sempre voltar ao começo, e, assim, se incorpora com o fato de o homem ser sempre incompleto - o aprendizado é para toda a vida.


 OUVIR OS JOVENS 

Não existe espaço onde a fragmentação do conhecimento permaneça tão explícita quanto na escola, com sua estrutura tradicional de parcelamento do tempo em função de disciplinas se estagne. Por outro lado, a variedade de sujeitos e objetos em busca de vinculações fazem da sala de aula um fenômeno complexo, ideal para iniciar o processo de mudança de mentalidades defendida por Morin. A meta é a transdisciplinaridade.. Ouvir os alunos, espontaneamente sintonizados com o presente, é a melhor maneira de o professor investir na própria formação. Esse também é o caminho para arquitetar um fluxograma de ensino focado no próprio estudante e suas referências culturais, porque as grandes metas da educação deveriam ser o desenvolvimento da compreensão e da condição humana. Segundo Morin, o profissional mais preparado para operar essa mudança de abordagem é o professor generalista dos primeiros anos do Ensino Fundamental, por ter uma visão ampla do processo. 


SUAS PRINCIPAIS OBRAS 


 1946- Ano Zero da Alemanha; 1951- O Homem e a Morte; 1957-1962- Revista Argumentos; 1959- Autocrítica; 1965- Introdução à Política do Homem: argumentos políticos; 1968- Maio/68: A Brecha; 1969- Nova edição de Introduction A Une Politique de L’Homme; 1969- O Rumor de Orléans; 1969- o X da Questão: sujeito à flor da pele; 1974- A Unidade do Homem; 1973- O Paradigma Perdido: a natureza humana; 1975- Nova edição de Autocrítica; 1977- O Método 1: a natureza da natureza; 1978- Os Primatas e o Homem; O Cérebro Humano; Por Uma Antropologia Fundamental – Nova edição, desdobrada, da Unidade do Homem; 1980- O Método 2: a vida da vida; 1981- Para Sair do Século XX; 1982- Ciência com Consciência; 1983- Da Natureza da União Sovietica: Complexo Totalitário e Novo Império; 1984- Problema Epistemológico da Complexidade; 1984- A Rosa e o Negro; 1984- Ciência e Consciência da Complexidade; 1986- O Método 3: conhecimento do conhecimento; 1989- Vidal e os Seus; 1990- Pensar a Europa; 1990- Introdução ao Pensamento Complexo; 1990- Colóquio de Cerisy; 1991- O Método 4: as idéias; 1993- Terra Pátria; 1993- A Decadência do Futuro e a Construção do Presente; 1994- Meus Demônios; 1994- A Complexidade Humana; 1995- Ano Sìsifico; 1997- Amor, Poesia e Sabedoria; 1997- Uma Política de Civilização; 1998- A Cabeça Bem Feita: repensar a reforma e reformar o pensamento; 1998- Ética, Solidariedade e Complexidade; 1999- A Inteligência da Complexidade; 2000- Le Défi du Xxe. Siècle.Relier La Conaissance; 2000- Dialogue Sur La Nature Humaine; 2000- Relier les connaissances, Le Seuil; 2000- Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro; 2001- Jounal de Plozévet. Bretagne; 2001- O Método 5: a identidade humana; 2002- Pour une politique de civilisation, Paris, Arléa; 2002- Dialogue sur la connaissance, Entretiens avec des lycéens; 2003- La violence du Mond; 2003- Educar na Era Planetária: o pensamento complexo como método de aprendizagem pelo erro e incerteza humana; 2003- Les enfants du ciel: entre vide, lumière; 2003- Um Viandante dela complessitá, Morrin filosofo a Messina; 2004 – Diálogo sobre o Conhecimento.




SUAS CONQUISTAS, PRÊMIOS E HONRARIAS
  
Doutor Honoris das universidades vários países inclusive no Brasil; Vários prêmios internacionais, condecorações, medalhas, prêmio de Oficial da Ordem do Mérito da Espanha, homenageado com a Legião de Honra da UNESCO e da França. No México implantou o projeto do Multiversidade Mundo Real que leva seu nome e foi dedicada uma estátua em sua homenagem no prédio do Ministério da Educação. 


ESCOLA, ENSINO E APRENDIZAGEM 


Edgar Morin: "A escola mata a curiosidade" 

Educador francês acredita que instigar a curiosidade da criança é a melhor forma de despertá-la para o saber.

Se vivemos em um mundo complicado e interligado, e novas informações nos fazem, a toda hora, mudar de planos, por que a escola ainda teima em ensinar certezas e conhecimentos que parecem únicos e absolutos? Questões como essa induziram Edgar Morin a recomendar uma nova estrutura para a educação, que sugerisse também em uma reforma do pensamento. Nos anos 1990 ele foi convidado pelo Ministério da Educação de seu país para reestruturar o ensino secundário. A mudança não ocorreu, mas logo suas idéias tomaram corpo e ultrapassaram as fronteiras da França. A convite da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Morin fez um estudo sobre quais seriam os temas que não poderiam faltar para formar o cidadão do século 21. Assim nasceu Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro, texto esse que serviu de base para a elaboração de nossos Parâmetros Curriculares Nacionais, entre outros documentos. Mas o que tem essa proposta de diferente? Ela coloca o ser humano e o planeta no centro do ensino. "É preciso aprender sobre a condição humana, a compreensão e a ética, entender a era planetária em que vivemos e saber que o conhecimento, qualquer que seja ele, está sujeito ao erro e à ilusão", adverte Morin. Nesta entrevista ele explica um pouco seu pensamento e diz que a reforma mais ampla no ensino aprendizagem pode começar a ser feita em cada sala de aula. 

O senhor costuma comparar o nosso planeta a uma nave espacial, em que a economia, a ciência, a tecnologia e a política seriam os motores, que atualmente estão danificados. Qual o papel da educação nessa espaçonave?

Ela teria a função de trazer a compreensão e fazer as ligações necessárias para esse sistema funcionar bem. Uso o verbo no condicional porque acho que ela ainda não desempenha esse papel. O problema é que nessa nave os relacionamentos são muito ruins. Desde o convívio entre pais e filhos, cheio de brigas, até as relações internacionais — basta ver o número de guerras que temos. Por isso é preciso lutar para a melhoria dessas relações. 

O que é preciso mudar no ensino para que o nosso planeta, ou a nave, entre em órbita? 

 Um dos principais objetivos da educação é ensinar valores. E esses são incorporados pela criança desde muito cedo. É preciso mostrar a ela como compreender a si mesma para que possa compreender os outros e a humanidade em geral. Os jovens têm de conhecer as particularidades do ser humano e o papel dele na era planetária que vivemos. Por isso a educação ainda não está fazendo sua parte. O sistema educativo não incorpora essas discussões e, pior, fragmenta a realidade, simplifica o complexo, separa o que é inseparável, ignora a multiplicidade e a diversidade. 


 O senhor então é contra a divisão do saber em várias disciplinas? 

 As disciplinas como estão estruturadas só servem para isolar os objetos do seu meio e isolar partes de um todo. Eliminam a desordem e as contradições existentes, para dar uma falsa sensação de arrumação. A educação deveria romper com isso mostrando as correlações entre os saberes, a complexidade da vida e dos problemas que hoje existem. Caso contrário, será sempre ineficiente e insuficiente para os cidadãos do futuro. 


Na prática, de que forma a compreensão e a condição humana podem estar presentes em um currículo? 


Ora, as dúvidas que uma criança tem são praticamente as mesmas dos adultos e dos filósofos. Quem somos, de onde viemos e para que estamos aqui? Tentar responder a essas questões, com certeza, vai instigar a curiosidade dos pequenos e permitir que eles comecem a se localizar no seu espaço, na comunidade, no mundo e a perceber a correlação dos saberes. 

 Mas uma pergunta como "quem somos?" não é fácil de responder

E não precisa ser respondida. É a investigação e a pluralidade de possíveis caminhos que tornam o assunto interessante. Podemos ir pelo social — somos indivíduos, pertencentes a determinadas famílias, que estão em uma certa sociedade, dentro de um mundo que tem passado, história. Todos temos um jeito de ser, um perfil psicológico que também dá outras informações sobre essa questão. Mas também somos seres feitos de células vivas — entramos na biologia —, que são formadas por moléculas — temos então a química. Todas essas moléculas são constituídas por átomos que vieram de explosões estelares ocorridas há milhões de anos... E assim por diante. Sempre instigando a curiosidade e não a matando, como freqüentemente faz a escola. 


 Como temas tão profundos podem ser tratados sem que a aula fique chata? 

É só não deixar enjoativo o que é por natureza passional. Um jornal francês de literatura fez uma pesquisa entre os alunos e descobriu que até os 14 anos os jovens gostam de ler e lêem muito. Quando vão para o liceu, lêem menos. É verdade que eles começam a sair mais de casa e ter outros interesses, mas um dos principais motivos é que os professores tornam a literatura chata, decupando-a em partes pequenas e analisando minuciosamente o seu vocabulário, em vez de dar mais valor ao sentido do texto, à sua ação. Nada mais passional do que um romance, nada tão maravilhoso quanto a poesia! Nada retrata melhor a problemática humana do que as grandes obras literárias. Os saberes não devem assassinar a curiosidade. A educação deve ser um despertar para a filosofia, para a literatura, para a música, para as artes. É isso que preenche a vida. Esse é o seu verdadeiro papel. 


A literatura e as artes deveriam ter mais destaque no ensino? 

 Sem dúvida. Elas poderiam se constituir em eixos transdisciplinares. Pegue-se Guerra e Paz, de Tolstói, por exemplo. O professor de Literatura pode pedir a seu colega de História para ajudá-lo a situar a obra na história da Rússia. Pode solicitar a um psicólogo, da escola ou não, que converse com a classe sobre as características psicológicas dos personagens e as relações entre eles; a um sociólogo que ajude na compreensão da organização social da época. Toda grande obra de literatura tem a sua dimensão histórica, psicológica, social, filosófica e cada um desses aspectos traz esclarecimentos e informações importantes para o estudante. Todo país tem suas grandes obras e certamente também os clássicos universais servem para esse fim. 


 O professor deve buscar sempre o trabalho interdisciplinar? 

 Ele deve ter consciência da importância de sua disciplina, mas precisa perceber também que, com a iluminação de outros olhares, vai ficar muito mais interessante. O professor pode procurar ter essa cultura menos especializada, enquanto não existir uma mudança na formação e na organização dos saberes. O professor de Literatura precisa conhecer um pouco de história e de psicologia, assim como o de Matemática e o de Física necessitam de uma formação literária. Hoje existe um abismo entre as humanidades e as ciências, o que é grave para as duas. Somente uma comunicação entre elas vai propiciar o nascimento de uma nova cultura, e essa, sim, deverá perpassar a formação de todos os profissionais. 


Como o professor vai aprender a trabalhar de forma conjunta? 

 Ele vai se autoformar quando começar a escutar os alunos, que são os porta-vozes de nossa época. Se há desinteresse da classe, ele precisa saber o porquê. É dessa postura de diálogo que as novas necessidades de ensino vão surgir. Ao professor cabe atendê-las.  

Como acontece uma grande reforma educacional? 

Nenhuma mudança é feita de uma só vez. Não adianta um ministro querer revolucionar a escola se os espíritos não estiverem preparados. A reforma vai começar por uma minoria que sente necessidade de mudar. É preciso começar por experiências pilotos, em uma sala de aula, uma escola ou uma universidade em que novas técnicas e metodologias sejam utilizadas e onde os saberes necessários para uma educação do futuro componham o currículo. Teríamos, desde o começo da escolarização, temas como a compreensão humana; a época planetária, em que se buscaria entender o nosso tempo, nossos dilemas e nossos desafios; o estudo da condição humana em seus aspectos biológicos, físicos, culturais, sociais e psíquicos. Dessa forma começaríamos a progredir e finalmente a mudar.  

Como tratar temas tão profundos como o estudo da condição humana nos diversos níveis de ensino? 

Os professores polivalentes da escola primária são os ideais para tratar desses assuntos. Por não serem especialistas, têm uma visão mais ampla dos saberes. Eles podem partir da problemática do estudante e fazer um programa de ensino cheio de questões que partissem do ser humano. O polivalente pode mostrar aos pequenos como se produz a cultura da televisão e do videogame na qual eles estão imersos desde muito cedo. Já a escola que trabalha com os jovens deve dedicar-se à aprendizagem do diálogo entre as culturas humanísticas e científicas. É o momento ideal para o aluno conhecer a história de sua nação, situar-se no futuro de seu continente e da humanidade. Às universidades caberia a reforma do pensamento, para permitir o uso integral da inteligência. 


 SABERES INDISPENSÁVEIS 

Em sua defesa da religação dos saberes, Morin tocou numa inquietação lançada nos dias atuais, quando a tecnologia permite um acesso inédito às informações. Por isso a Organização das Nações Unidas pediu a ele uma relação dos temas que não poderiam faltar para formar o cidadão do século 21. Edgar Morin nos enche de tanto saber,
portanto nasceu o texto Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro. A lista começa com o estudo do próprio conhecimento. O segundo ponto é a pertinência dos conteúdos, para que levem a "apreender problemas globais e fundamentais". Em seguida vem o estudo da condição humana, entendida como unidade complexa da natureza dos indivíduos. Ensinar a identidade terrena é o quarto ponto e refere-se a abordar as relações humanas de um ponto de vista global. O tópico seguinte é enfrentar as incertezas com base nos aportes recentes das ciências. O aprendizado da compreensão, sexto item, pede uma reforma de mentalidades para superar males como o racismo. Finalmente, uma ética global, baseada na consciência do ser humano como indivíduo e parte da sociedade e da espécie. Diante tanto conhecimento, eis aqui uma obra que perpassa muito sobre as concepções da Educação: Os Sete Saberes para Educação do Futuro, que traz alguns tópicos pertinentes: 

Erro e a Ilusão, o autor descreve que a educação visa conduzir o conhecimento humano e quando conduzimos, passamos também nossa ilusão e com isso erros na informação. Saber Pertinente, é o conhecimento que permita juntar saberes, permitindo fundar relações como diz Morin (2000) “entre o global, o multidimensional e o complexo”. Ensinar a Condição Humana, Morin assegura que a educação do futuro deverá ser o ensino primeiro e universal, situado na condição humana. Conhecer o humano é, antes de mais nada, situá-lo no universo, e não separá-lo dele como vimos nos capítulos anteriores. Ensinar a Identidade Terrena, de acordo com segundo Morin ensinar a identidade terrena é aprender a estar na terra, significa aprender a viver, a comunicar, a dividir. Por isso, é necessário ensinar a Era Planetária mostrando como as partes do mundo podem ser solidárias retratando também que existiram e existem problemas que comprometem a humanidade. Enfrentar as Incertezas, Morin garante que é imprescindível ensinar estratégias através das quais as pessoas poderão enfrentar o inesperado e os imprevistos. O autor diz que é importante aprendermos a lidar com as incertezas do conhecimento. Para Morin (2000) ‘’é preciso aprender a navegar em um oceano de incertezas em meio a arquipélago de certeza’’. Ensinar a Compreensão, alude em envolver a comunicação humana a identidade terrena numa visão planetária. Buscando entender a educação e compreende-la em uma grandeza em que conviemos no mesmo mundo, e aprendemos o valor dele, dimensionando que tudo estar liga e interligado em todos os sentidos, visando à importância da educação e os saberes para compreender os diversos níveis da complexidade em que vivemos, tornando-as um objetivo comum que é a educação para humanidade. Ética do Gênero Humano, isto é a antropo-ética quer dizer a ética do indivíduo, da sociedade e da espécie, formando uma trindade que não podem ser separadas, porque a ética depende da cultura e da natureza humana. 

O que Edgar Morin nos deseja dizer nos sete saberes sobre a educação, é que devemos nos ajudar numa educação complexa que interligue todos os buracos deixados soltos por muito tempo, para podermos ter uma consciência crítica e cuidarmos do planeta em que vivemos. Afinal, estamos na Era Planetária, e só uma educação complexa poderá nos transformar e é nos transformando que poderemos modificar a sociedade e consequentemente cuidar do planeta com todas às suas complexidades, inclusive a nós mesmos, que fazemos parte dessa grande nave como Morin mesmo nos sinaliza. 




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