domingo, 6 de novembro de 2011

LEITURA ORANTE DA BÍBLIA



Maria do Carmo de Oliveira
A Igreja se alimenta da Palavra de Deus que encontramos na Sagrada Escritura e que encontramos também na vida, na realidade. Deus fala nas coisas que acontecem e quem não procura entender as coisas da vida, os acontecimentos, a realidade atual, não pode entender a Bíblia, nem ouvir a Palavra que Deus quer dizer para nós. A Palavra de Deus, amplamente, abundantemente revelada, é o principal conteúdo da fé.
èO objetivo da leitura da Bíblia é ESCUTAR DEUS QUE FALA HOJE:
1.      É perceber em nossa vida, na vida da comunidade e da sociedade a presença ou a ausência do Plano de Deus.
2.      A leitura da Bíblia nos ajuda a interpretar a vida à luz da Palavra de Deus e se torna assim um serviço à vida e serviço à humanidade.
3.      Lemos a Bíblia para encontrarmos com o Deus da Bíblia que é o Deus da Vida, o Deus de Jesus Cristo, que veio a este mundo “para que todos tenham vida e a tenham em abundância”. (Jo,10,10)
è Procura do encontro com Deus:  Que Deus encontramos na Bíblia? Deus Libertador, Deus que está sempre conosco“Emanuel”, Deus que se revela na história e no grito dos pobres, Deus que fala pela vida e nos convoca a transformar este mundo em “Reino de Deus”.
èElementos importantes na formação bíblica:  Nossa missão exige que aprendamos a escutar com fé e fidelidade a Palavra de Deus através da realidade, na vida da Comunidade, da Igreja e especialmente na Bíblia. Para isso é necessário ter o hábito de ler, ler e ler a Bíblia sempre, criar intimidade, familiaridade afetiva com ela, respeitando-a, como se respeita a palavra de quem se ama.
A revelação do Plano de Deus que descobrimos na Bíblia tem a ver com nossa missão batismal. A educação permanente da fé está ancorada na palavra de Deus que descobrimos na Bíblia. A leitura da Bíblia nos faz compreender que a história da salvação que Deus faz conosco, se revela na história da humanidade; a história do povo da bíblia nos ajuda a descobrir caminhos para nos organizarmos e nos tornarmos hoje povo de Deus.
A formação bíblica é uma busca séria de leitura pessoal, reflexão, oração, estudo, usando subsídios, dicionários bíblicos, freqüência a escolas e cursos e principalmente a leitura comunitária da Bíblia “pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles” (Mt 18,20).
è Leitura Orante da Bíblia: Existem muitas formas de lermos a Bíblia. Mas nossa leitura como animadores e animadoras da fé em nossas comunidades, deve ser: leitura espiritual, leitura comprometida,  leitura militante, leitura transformadora. Não pode ser leitura ingênua, moralista ou fundamentalista. Olhando a história dos cristãos do passado e a vivência das Comunidades Eclesiais de Base, comunidade dos pobres de hoje, aprendemos um jeito antigo e sempre novo de nos aproximarmos da Bíblia. Nessa leitura há alguns elementos que são básicos para o uso da Bíblia.
            A leitura que parte da Realidade, fiel ao Texto, dentro da Comunidade é profunda, nos alimenta e nos leva a uma conversão constante, pois nos faz ter um olho da Vida e outro na Bíblia. Esses três critérios, ligados e articulados entre si, nos fazem ESCUTAR DEUS HOJE:  
A forma que vamos usar é a Leitura Orante da Bíblia, “Lectio Divina”. Com esse método, procuramos assimilar o que a mesma Bíblia nos diz em Dt 30,14: “A Palavra está muito perto de ti: na tua boca e no teu coração, para que a ponhas em prática”. A Palavra de Deus chega a nós por vários caminhos individuais e coletivos: através da Sagrada Escritura, da Igreja, da comunidade, da Liturgia, dos irmãos e irmãs, dos acontecimentos concretos e históricos. A Leitura Orante se serve de informações humanas, científicas, mas vai além, porque se torna uma experiência, um encontro pessoal entre nós e Deus. É escuta sincera e honesta da Palavra de Deus. Como se faz a LEITURA ORANTE DA BÍBLIA? Antes de tudo é colocar-se à luz do Espírito de Deus e pedir sua ajuda. São quatro degraus da Leitura Orante da Bíblia: Leitura, Meditação, Oração, Contemplação.
1º - Leitura:  A leitura é o primeiro passo, ou  degrau da Leitura Orante da Bíblia. Ler, reler, tornar a ler, cada vez mais, conhecer bem o que está escrito, até assimilar o próprio texto; respeitar o texto tal como ele é, sem interpretações precipitadas, sem achar que já conhece esse texto. A Sagrada Escritura é como uma fonte de água. A cada instante brota uma água nova que não é a mesma água do segundo anterior. É como um copo de água que você bebe. Só se bebe aquele copo d’água uma vez na vida. Assim cremos que seja a Palavra de Deus é sempre nova e atual. Ao ler o texto da Escritura, fazê-lo com o respeito de quem se encontra pela primeira vez. Estar atento para as palavras, as repetições, o jeito como está escrito, quem aparece no texto, em que lugar, o que fazem, o que falam... Muitas vezes precisaremos lançar mão de algum subsídio que ajude a entender o texto e o seu contexto histórico/social; usar estudos, dicionários bíblicos, livros, a ciência, a teologia e outros meios. De acordo com Dt 30,14 -“A Palavra está muito perto de ti: na tua boca” - é chegar perto da Palavra de Deus; a Palavra está na boca. Aqui descobrimos o que o texto diz em si mesmo.
2º Meditação: A meditação é o segundo degrau. Depois de ouvir e ler a Sagrada Escritura, de assimilá-la criativa e ativamente, vamos usar a imaginação, palavras, a repetição mental ou oral de uma palavra, uma frase, um versículo. Repetir de memória, com a boca, o que foi lido e compreendido. Vamos ruminar até que, da boca e da cabeça, passe para o coração. Já não é mais só o que o texto diz, mas o que esta palavra está dizendo hoje, o que me diz concretamente dentro da realidade em que estamos vivendo. O que Deus falou no passado e o que está falando hoje, através deste texto? É uma forma simples de meditação, um jeito de saborear o texto com cores e cheiros de hoje, da nossa realidade. “A Palavra está muito perto de ti: na tua boca e no teu coração”.
3º Oração: A meditação nos faz subir o terceiro degrau. A leitura e meditação se transformam em um encontro mais direto, íntimo e pessoal com Deus. Entramos em diálogo, em comunhão amorosa com Deus. Respondemos a Deus, pedimos que nos ajude a praticar o que a sua Palavra nos pede. O texto bíblico e a realidade de hoje nos motivam a rezar. O terceiro passo é a oração pessoal que pode desabrochar em oração comunitária, expressão espontânea de nossas convicções e sentimentos mais profundos. “A Palavra está muito perto de ti: ... no teu coração”.
4º Contemplação: É o transbordamento do coração em ação transformadora. “Para que ponhas em prática” (Dt 30,14). Contemplar não é algo intelectual, que se passa na cabeça, mas é um agir novo que envolve todo nosso ser. É contemplativa a pessoa que tem o “jeito novo” de ser, viver, ver e assumir a vida, conforme o projeto daquele que é o nosso único Mestre e que nos diz: “Vocês são todos irmãos” (Mt 23,8). A Leitura Orante se torna uma atitude continuada no dia-a-dia por uma ação transformadora – pessoal, comunitária, social, mundial.

Passos para Leitura Orante da Bíblia

1º Leitura: O que o texto diz?(Ler o texto várias vezes e procurar compreender o que ele está dizendo)
2º Meditação: O que o texto me diz? (Ruminar, trazer o texto para a própria vida e a realidade pessoal e social.) O que Deus está me falando?
3º Oração: O que o texto me faz dizer a Deus? (Rezar – suplicar, louvar, dialogar com Deus, orar com um salmo...)
4º Contemplação:  A partir deste texto como devo olhar a vida, as pessoas, a realidade... o que devo fazer de concreto? (O que ficou em meu coração e me desperta para um novo modo de ser e agir?)

fonte: redecelebra

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

PONTOS QUE PRECISAM DE INTERCESSÃO


Tá com dúvida na hora de fazer as suas orações? Siga os passos abaixo, que saberá como ORAR
A igreja, o Papa, Bispos e o Clero em geral;
O Brasil e o governo em geral;
Grupos de oração;
Pessoas que precisam de libertação e conversão;
Libertação de pessoas que estão com problemas espirituais;
Casamentos, filhos, familiares;
Eventos que serão realizados, como pregações, louvores, encontros;
Curas, milagres, soluções de problemas;
Ministérios de música, evangelização, etc.;
Problemas financeiros, trabalhos, etc.;
Mudança de coordenação ou de função em geral;
Fim da violência, conflitos, guerras;
Acidentes de carros, etc.;
Patrimônio, ambientes, sucesso de projetos, manutenção das coisas de Deus;
Construção de igrejas e oração para Deus providenciar o dinheiro para a obra;
Paz para os corações, fortalecimento, saúde, para receber os dons do Espírito Santo;
Libertação de ataques do inimigo e por alguém oprimido.

TEXTOS PARA AJUDAR NA MEDITAÇÃO (INTERCESSÃO)
Gn 18,23-33 / Ex 17,4 / Ex 32,11 / Nm 14,1-20 / Jr 33,3 / Ez 22,30 / Dn 9,2-19

INTERCESSÃO NO NOVO TESTAMENTO
Jo 2,1-11 / Jo 17,9 / Tg 4,3 / Rm 8,26 / Cl 1,9 / 1Tm 2,1 / Tg 5,16 / 1Pd 5,8-9

Mateus 5,1-12: As bem-aventuranças como caminho de santidade

Ildo Bohn Gass


Felizes os que são pobres no espírito, porque deles é o reino dos céus (Mateus 5,3)
Todas as pessoas são chamadas à santidade, a fim de serem bem-aventuradas. Sede santos, porque eu, Javé vosso Deus, sou santo (Levítico 19,2). A comunidade de Mateus faria uma releitura desse chamado da seguinte forma: Sede perfeitos, como o Pai celeste é perfeito (Mateus 5,48). Coerente com sua experiência com o Deus da misericórdia, a comunidade de Lucas formula assim o mesmo chamado: Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso (Lucas 6,36).
Dia 02 de novembro é um dia especial em que milhões de pessoas refletem sobre todas as pessoas bem-aventuradas e que já se encontram na glória do Pai. Conforme a comunidade de Mateus, Jesus nos propõe oito bem-aventuranças como caminho de santidade e que já começa nesta vida.
Quando Mateus apresenta Jesus fazendo cinco grandes discursos (Mateus 5-7; 10; 13,1-52; 18; 24-25), sua intenção é apresentá-lo como o novo Moisés, a quem eram atribuídos os cinco livros da Lei, o Pentateuco. A Lei era considerada a expressão da vontade de Deus. No tempo de Jesus, muitos fariseus estavam preocupados em viver a Lei ao pé da letra. Jesus, porém, vive e anuncia essa vontade de Deus indo além da letra da Lei. Diz que é o espírito da Lei que interessa e que ele consiste na vivência do amor a Deus e ao próximo como a si mesmo (Mateus 22,34-40). Diz ainda que este espírito da Lei deve ser a orientação fundamental para o nosso agir (cf. Mateus 12,1-8; 23). Mateus chama essa vontade de Deus de justiça do Reino. Se Moisés era o antigo mestre da Lei, Jesus é o novo mestre da justiça a nos ensinar o caminho de Deus, o caminho da santidade.
O primeiro grande ensinamento do mestre da justiça, o Sermão da Montanha (Mateus 5-7), é um conjunto de orientações para a boa convivência na comunidade. Tal como Moisés escrevera as palavras da Lei estando sobre um monte, Jesus dá as novas orientações também numa montanha (Êxodo 34,28; Mateus 5,1).
As bem-aventuranças (Mateus 5,1-12) são a porta de entrada ao Sermão da Montanha Mateus (5-7). São um programa de vida para trazer felicidade plena a quem adere à Boa-Nova de Jesus.
A justiça do Reino dos Céus (= de Deus), isto é, a vontade de Deus, é o carro-chefe das bem-aventuranças. O Reino é o projeto na primeira e na oitava bem-aventurança. E, no centro, estão a busca da justiça e a busca da misericórdia (ter o coração voltado para quem está na miséria). Uma vez realizada a justiça de Deus, os empobrecidos deixarão de ser oprimidos, pois haverá partilha e solidariedade. Por isso, Jesus os declara felizes.
A primeira bem-aventurança é a mais importante. As demais são explicitações desta. Os pobres são aqueles que choram, são os mansos ou humildes (no Salmo 37,11, texto-base para esta bem-aventurança, são chamados de pobres-anawim), os que têm fome, os misericordiosos, os puros de coração, os que promovem a paz e as pessoas perseguidas por causa da justiça. E as dádivas para os empobrecidos são: o Reino de Deus, o conforto, a terra partilhada, a fartura, a misericórdia, a contemplação de Deus e a filiação divina (agir à imagem e semelhança de Deus ou ter as mesmas atitudes de Deus).
Mas ser pobre não é suficiente. Está claro que os empobrecidos são os preferidos de Deus, justamente por que ele não pode ver nenhum de seus filhos e nenhuma de suas filhas passando por necessidades. Ainda mais, quando a pobreza é fruto da injustiça humana. É interessante notar que esta mesma bem-aventurança, no Evangelho segundo Lucas, reza assim: “Felizes vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus!” (Lucas 6,20).
Quando a comunidade de Mateus acrescentou “no espírito” à primeira bem-aventurança de Jesus (Mateus 5,3), também estava preocupada com o fato de que há pobres com o espírito de rico incorporado em seu coração e sua mente, buscando, na riqueza e no poder, o sentido mais profundo para a vida. Por isso, quis deixar bem claro para seus destinatários que não basta ser pobre, mas que é preciso ser “pobre no espírito”, isto é, viver de acordo com o espírito do próprio Deus; ser pobre também por opção pelo projeto da justiça e de misericórdia; viver na total confiança e dependência de Deus; confiar na partilha, na vida simples e na fraternidade.
Aliás, são justamente as pessoas que buscam a felicidade no consumismo e no individualismo que perseguem aos que lutam pela justiça do Reino, pela paz e pela partilha. Foi assim que, no passado, os poderosos perseguiram os profetas (Mateus 5,10-12).
E hoje, Jesus renova o convite para nós: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo” (Mateus 6,33). E o caminho da justiça do Reino, o caminho da santidade está na prática do espírito da Lei proposto nas orientações fundamentais para a vida contida, isto é, nas bem-aventuranças.  

Ildo Bohn Gass é bliblista, leigo católico.

ANALOGIA SOBRE A VIDA POST-MORTEM

No ventre de uma mulher grávida estavam dois bebês. O primeiro pergunta ao outro:
- Você acredita na vida após o nascimento?
- Certamente. Algo tem de haver após o nascimento. Talvez estejamos aqui principalmente porque nós precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.
- Bobagem, não há vida após o nascimento. Como verdadeiramente seria essa vida?
- Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a boca.
- Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Eu digo somente uma coisa: A vida após  o  nascimento  está excluída – o cordão umbilical é muito curto.
- Na verdade, certamente há algo. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui.
- Mas ninguém nunca voltou de lá, depois do nascimento. O parto apenas encerra a vida. E afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia prolongada na escuridão.
- Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a mamãe e ela cuidará de nós.
- Mamãe? Você acredita na mamãe? E onde ela supostamente está?
- Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela tudo isso não existiria.
- Eu não acredito! Eu nunca vi nenhuma mamãe, por isso é claro que não existe nenhuma.
- Bem, mas às vezes quando estamos em silêncio, você pode ouvi-la cantando, ou sente como ela afaga nosso mundo. Saiba, eu penso que só então a vida  real nos espera e agora apenas estamos nos preparando para ela…

Grande abraço........ curtam

sábado, 29 de outubro de 2011

CHAVES PARA LER A BÍBLIA

1 – PÉS: BEM PLANTADOS NA REALIDADE
Para ler bem a Bíblia é preciso ler bem a vida, conhecer a realidade pessoal, familiar e comunitária do país e do mundo. É preciso conhecer também a realidade na qual viveu o povo da Bíblia.

2 – OLHOS: BEM ABERTOS
Um olho deve estar sobre o texto da Bíblia e o outro sobre o texto da vida. O que fala o texto da Bíblia? O que fala o texto da vida?

3 – OUVIDOS: ATENTOS, EM ALERTA
Um ouvido deve escutar o chamado de Deus e o outro escutar o seu irmão.

4 – CORAÇÃO: LIVRE PARA AMAR
Ler a Bíblia com sentimento, com a emoção que o texto provoca. Só quem ama a Deus e ao próximo pode entender o que Deus fala na Bíblia e na vida. Coração pronto para viver em conversão.

5 – BOCA: PARA ANUNCIAR E DENUNCIAR
Aquilo que os olhos viram, os ouvidos ouviram, o coração sentiu, a palavra de Deus e a vida.

6 – CABEÇA: PARA PENSAR
Usar a inteligência para meditar, estudar e buscar respostas para nossas dúvidas. Ler a Bíblia e ler também outros livros que nos expliquem a Bíblia. 

7 – JOELHOS: DOBRADOS EM ORAÇÃO
Só com muita fé e oração dá para entender a Bíblia e a vida. Pedir o dom da sabedoria ao Espírito Santo para entender a Bíblia.

REGRAS DE OURO PARA LER A BÍBLIA

1 – LEIA-A TODOS OS DIAS
Quando tiver vontade e quando não tiver também. É como um remédio, com ou sem vontade tomamos porque é necessário.

2 – TENHA UMA HORA MARCADA PARA A LEITURA

Descobrir o melhor período do dia para você e fazer dele a sua hora com Deus.

3 – MARQUE A DURAÇÃO DA LEITURA
O ideal é que seja de 30 a 40 minutos, no mínimo, por dia.
                                                                                                                                                     
4 – ESCOLHA UM BOM LUGAR
É bom que se leia no mesmo lugar todos os dias. Deve ser um lugar tranqüilo, silencioso que facilite a concentração e favoreça a criação de um clima de oração.

5 – LEIA COM LÁPIS OU CANETA NA MÃO
Sublinhe na sua Bíblia e anote no seu caderno as passagens mais importantes, tudo o que chamar a sua atenção, as coisas que Deus falou ao seu coração de modo especial.

6 – FAÇA TUDO EM ESPÍRITO DE ORAÇÃO
Quando se lê a Bíblia faz-se um diálogo com Deus; você escuta, você se sensibiliza, você chora. É um encontro entre duas pessoas que se amam.

Os dez mandamentos do casal

I – Nunca irritar-se ao mesmo tempo.
II – Nunca gritar com o outro.
III – Se alguém deve ganhar em uma discussão, deixar que seja o outro.
IV – Se inevitável repreender, fazê-lo com amor.
V – Nunca jogar no rosto do outro os erros do passado.
VI – A displicência com qualquer pessoa é tolerável, menos com o cônjuge.
VII – Nunca ir dormir sem ter chegado a um acordo.
VIII – Pelo menos uma vez ao dia, dizer ao outro uma palavra carinhosa.
IX – Cometendo um erro, saber admiti-lo e pedir desculpas.
X – Quando um não quer, dois não brigam.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

PROGRAMA RECONHECER E A MORTE DO PROFESSOR: pegando pelo lado fraco


Luiz Marles*

Talvez só falte mesmo você admitir isso”.
(autor desconhecido)

Re-conhecer. Poderíamos até mesmo explicar literalmente o que venha ser, mas deixamos para outro momento. Atualmente o que se percebe em nosso estado é o descaso para com os profissionais docentes e, ainda uma imposição ferrenha da Secretaria Estadual de Educação, massacrando-nos com a oferta do bônus. Isso está desestabilizando emocionalmente/bolsamente a classe mais prejudicada do país. “Ah! Que bom que irei ganhar R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais)”. A avidez por este ganho está adoecendo aqueles que já contam com sua rendinha extra no final do ano.
O governo não quer que haja criticidade na formação discente. E, como podemos verificar, até entre os profissionais docentes está ruindo-se tal criticidade. Lamentável. Isto porque é mal remunerado, pouca valorização profissional, e, agora é preciso trabalhar doente para não perder o bônus. Que catástrofe nossa situação. Podemos parafrasear aquele antigo provérbio que diz: “bata a bunda no cimento pra ganhar mil e quinhentos”.
Temos que nos indignar diante deste caos e organizar algum tipo de manifestação, pois não somos marionetes, temos personalidade e queremos ver garantidos nossos direitos. Pois intrinsecamente o desejo deles é camuflar a situação e evitar que nós reivindiquemos melhorias nas condições de trabalho.
            Por que o governo não paga o Piso Salarial que é lei desde o ano de 2008 (LEI Nº 11.738, DE 16 DE JULHO DE 2008)? Só ele pode responder. O que nós sabemos é que o Programa Reconhecer traz uma mensagem subliminar que é a morte dos professores e da cultura de reivindicação em nosso estado. Infelizmente muitos de nossos colegas já estão imbuídos do espírito “bonificante” e não quer saber de outra coisa a não ser seu benefício extra. Contudo, insisto em questionar, é esse dinheiro que irá transformar a sua vida? “E a pergunta rola e a cabeça agita”. Ou melhor. A pergunta agita e as cabeças rolam. Perguntas surgem e as atitudes negligentes não revelam nada de promissor. Continuamos como seres inanimados e sem ânimo, diante desta ação revolucionária às avessas, que prima pela assiduidade (e muitos irão doentes, quase morrendo, com muletas, etc.) em detrimento da qualidade.
            Portanto, é inaceitável e repugnante esse programa instituído em Goiás. Levantemos nossa voz e marchemos incansavelmente, mostrando nossa consciência e força atitudinal, em vista de uma situação verdadeiramente pés no chão em que veremos a Educação em Goiás como algo promissor.
           
Luiz Marles
Professor das redes Estadual e Municipal
de Educação em Campos Belos – GO

domingo, 15 de maio de 2011

Maio mês de Maria

É uma herança europeia, uma vez que na Europa, em maio, é primavera. Lá, o mês de maio é celebrado em diversos países para homenagear o reflorescimento da natureza. É um mês de festas, de divertimentos, de poesia, de origem muito antiga.

No mundo pagão, por exemplo, acontecia a Florencia, isto é, grandes festas com danças, cantos, etc, em honra da deusa da vegetação, a Flora Mater.

No mundo cristão, como tentativa de corrigir os excessos e abusos destas festas, a partir do séc. XIII, a figura de Maria começa a ser associada ao mês de maio.O primeiro a dar este importante passo foi Afonso X, rei de Castela e León, na Espanha. A partir de então, começam a surgir práticas devocionais no sentido de homenagear a Virgem Santíssima. Aos poucos, o mês vai tomando um aspecto mariano que se consolida no séc. XVIII, com a publicação de obras como a do padre jesuíta A. Dionisi, que pode ser considerado o iniciador do mês mariano no sentido moderno.

É importante lembrar que o mês de maio é dedicado a Maria apenas no Ocidente. Para a Igreja do Oriente, o mês mariano por excelência é agosto, quando se celebra a festa da Dormição de Nossa Senhora (Assunção de Nossa Senhora).

Segundo pesquisadores e estudiosos, a origem do mês em homenagem a Nossa Senhora, se deu, devido a grande transformação que ocorre entre o término do inverno e a chegada da primavera no hemisfério norte. Nesta parte do planeta como sabemos, o inverno é muito rigoroso e se tem a impressão de que há a falta da vida, mas tudo se transforma com a chegada da primavera, a vida se renova, os campos ficam verdes cheios de flores e os animais reaparecem.


“Acreditava-se que, se no mês de maio, os frutos da terra são abundantes e as flores do campo são cheias se cores e de perfumes, as bênçãos da Virgem Maria serão ricas e cheias da graça do Senhor da Vida, seu filho Jesus Cristo”.

Esta prática supõe-se que teve início por volta do século XIII, em torno do ano 1280. Já no século XIV, encontramos São Felipe Néri, o santo da alegria e da caridade, que durante o mês de maio, ensinava os jovens a prestar homenagens a Maria, ornando de flores suas imagens.

Neste contexto, hoje em dia, existem inúmeras formas de manifestações populares que testemunham o amor e a dedicação a Nossa Senhora, basta verificar como ficam as capelas, os oratórios, as igrejas e as catedrais, tudo isto em agradecimento a àquela que pelo seu “SIM” a Deus, trouxe para nós o Salvador que é Nosso Senhor Jesus Cristo.

Adaptação Luiz Marles

domingo, 8 de maio de 2011

TIPOS DE AMOR????????

TENTATIVAS DE DEFINIÇÃO DO AMOR

Amor platônico
Amor platônico é uma expressão usada para designar um amor ideal, alheio a interesses ou gozos. Um sentido popular pode ser o de um amor impossível de se realizar, um amor perfeito, ideal, puro, casto.


Trata-se, contudo, de uma má interpretação da filosofia de Platão, quando vincula o atributo "platônico" ao sentido de algo existente apenas no plano das ideias. Porque Ideia em Platão não é uma cogitação da razão ou da fantasia humana. É a realidade essencial. O mundo da matéria seria apenas uma sombra que lembraria a luz da verdade essencial.

A expressão amor Platônico é uma interpretação equivocada do conceito de Amor na filosofia de Platão. O amor em Platão é falta. Ou seja, o amante busca no amado a Ideia - verdade essencial - que não possui. Nisto supre a falta e se torna pleno, de modo dialético, recíproco.

Em contraposição ao conceito de Amor na filosofia de Platão está o conceito de Paixão. A Paixão seria o desejo voltado exclusivamente para o mundo das sombras, abandonando-se a busca da realidade essencial. O amor em Platão não condena o sexo, ou as coisas da vida material.

Na obra Simpósio (de Platão), há uma passagem sobre o significado do amor. Sócrates é o mais importante dentre os homens presentes. Ele diz que na juventude foi iniciado na filosofia do amor por Diotima de Mantinea, que era uma sacerdotisa. Diotima lhe ensinou a genealogia do amor e por isso as ideias de Diotima estão na origem do conceito socrático-platônico do amor. Segundo Joseph Campbell, "não é por acaso que Sócrates nomeia Diotima como aquela que lhe deu as instruções e os métodos mais significativos para amar/falar. A palavra falada por amor é uma palavra que vem das origens [1]."


O amor original
O amor, para ocorrer, não importando os níveis: se social, afetivo, paternal ou maternal, fraternal - que é o amor entre irmãos e companheiros - deve obrigatoriamente ser permitido. O que significa ser amor permitido? Bem, de fato quase nunca pensa-se sobre isso porque passa tão despercebido que atribui-se a um comportamento natural do ser humano ou de outros seres vivos. Mas não, a permissão aqui referida toma-se por base um sentimento de reciprocidade capaz de dar início e alargar as relações de afetividade entre duas ou mais pessoas ou seres que estão em contato e que por ventura vêm a nutrir um sentimento de afeição ou amor entre si.

A permissão ocorre em um nível de aceitação natural, mental ou físico, no qual o ser dá abertura ao outro sem que sejam necessárias quaisquer obrigações ou atitudes demeritórias ou confusas de nenhuma das partes. A liberdade de amar, quando o sentimento preenche de alguma forma a alma e o corpo e não somente por alguns minutos, dias ou meses, mas por muitos anos, quiçá eternamente enquanto dure e mais nas lembranças e memórias.

Por que você me ama? Porque você permitiu. Essa frase remete ao mais simples mecanismo de reciprocidade e lealdade, se um pergunta ao outro a razão de seu sentimento de amor em direção a ele, a resposta só poderia ser essa. A razão do sentimento de amor em direção à outra pessoa recaí na própria pessoa amada, que em seus gestos, palavras, pensamentos e ações conferiu permissão a que a outra pessoa ou ser - podendo até ser um animal de estimação - o dedicasse aquele sentimento de amor.

O amor pode ser entendido de diferentes formas, e tomado por certo conquanto é um sentimento, dessa forma é abstrato, sem forma, sem cor, sem tamanho ou textura. Mas é por si só: O sentimento em excelência; o que quer dizer que é o sentimento primário e inicial de todo e cada ser humano, animal ou qualquer outro ser dotado de sentimentos e capacidade de raciocínio natural.

Todos carecem de amor e querem reconhecer esse sentimento em si e nos outros, não importando idade ou sexo. O amor é vital para nossas vidas como o ar, e é notoriamente reconhecido que sem amor a criatura não sobrevive conquanto o amor equilibra e traz a paz de espírito quando é necessário.

 
Eros
Eros representa a parte consciente do amor que uma pessoa sente por outra. É o amor que se liga de forma mais clara à atração física, e frequentemente compele as pessoas a manterem um relacionamento amoroso continuado. Nesse sentido também é sinônimo de relação sexual.

Ao contrário vem a Psique, que representa o sentimento mais espiritual e profundo.

Pragma
Pragma (do grego, "prática", "negócio") seria uma forma de amor que prioriza o lado prático das coisas. O indivíduo avalia todas as possíveis implicações antes de embarcar num romance. Se o namoro aparente tiver futuro, ele investe. Se não, desiste. Cultiva uma lista de pré-requisitos para o parceiro ou a parceira ideal e pondera muito antes de se comprometer. Procura um bom pai ou uma boa mãe para os filhos e leva em conta o conforto material. Está sempre cheio de perguntas. O que será que a minha família vai achar? Se eu me casar, como estarei daqui a cinco anos? Como minha vida vai mudar se eu me casar?

Amor interessado em fazer bem a si mesmo, Amor que espera algo em troca.

Philia
Em grego, significa altruísmo, generosidade. A dedicação ao outro vem sempre antes do próprio interesse. Quem pratica esse estilo de amor entrega-se totalmente à relação e não se importa em abrir mão de certas vontades para a satisfação do ser amado. Investe constantemente no relacionamento, mesmo sem ser correspondido. Sente-se bem quando o outro demonstra alegria. No limite, é capaz até mesmo de renunciar ao parceiro se acreditar que ele pode ser mais feliz com outra pessoa. É visto por muitos, como uma forma incondicional de amar.

A interpretação cristã sobre a origem de Jesus, engloba este tipo de amor para descrever o ato de Deus, que, ao ver a humanidade perdida, entrega seu filho unigênito, para ser morto em favor do homem.

Storge
É o nome da divindade grega da amizade. Por isso, quem tende a ter esse estilo de amor valoriza a confiança mútua, o entrosamento e os projetos compartilhados. O romance começa de maneira tão gradual que os parceiros nem sabem dizer quando exatamente. A atração física não é o principal. Os namorados-amigos não tendem a ter relacionamentos calorosos, mas sim tranquilos e afetuosos. Preferem cativar a seduzir. E, em geral, mantêm ligações bastante duradouras e estáveis. O que conta é a confiança mútua e os valores compartilhados. Os amantes do tipo storge revelam satisfação com a vida afetiva. Acontece geralmente entre grandes amigos. Normalmente os casais com este tipo de amor conhecem muito bem um ao outro.

Sexo
"Amor" vs. "sexo" -: a palavra amor pode ser entendida também como sexo, quando usada em expressões como "fazer amor", "make love" (em inglês), "hacer el amor" (em castelhano), "faire l'amour" (em francês). Os hispanófonos, por exemplo, encontramos a palavra "amor" sendo, em geral, substituída por variações de "querer", como em "yo te quiero", em detrimento do possível "te amo" em espanhol.


Estilos de Amor
Susan Hendrick e Clyde Hendrick desenvolveram uma Escala de Atitudes Amorosas baseados na teoria de Alan John Lee, teoria chamada Estilos de amor. Lee identificou seis tipos básicos em sua teoria. Nestes tipos as pessoas usam em suas relações interpessoais:


Eros - um amor apaixonado fundamentado e baseado na aparência física


Psiquê - um amor "espiritual", baseado na mente e nos sentimentos eternos


Ludus - o amor que é jogado como um jogo; amor brincalhão


Storge - um amor afetuoso que se desenvolve lentamente, com base em similaridade


Pragma - amor pragmático, que visualiza apenas o momento e a necessidade temporária, do agora


Mania - amor altamente emocional, instável; o estereótipo de amor romântico


Agape - amor altruísta; espiritual

De acordo com a pesquisa de Hendrick e Hendrick, os homens tendem a ser mais lúdicos e maníacos, enquanto as mulheres tendem a ser stórgicas e pragmáticas. Relacionamentos baseados em amor de estilos semelhantes tendem a durar mais tempo. Em 2007, pesquisadores da Universidade de Pavia liderados pelo Dr. Enzo Emanuele forneceram provas da existência de uma base genética para variações individuais em verificada na Teoria dos Estilos amorosos de Lee. O Eros relaciona-se com a dopamina no sistema nervoso e a Mania à serotonina.

Atração física, paixão e amor
Atração física

Na atração física reside os nossos instintos atrelados ao nosso estado fisiológico como as necessidades sexuais, prazer e perpetuidade da espécie.

Paixão

A paixão é um forte sentimento que se pode tomar até mesmo como uma patologia provinda do amor. Manifestada a paixão em devida circunstância, o indivíduo tende a ser menos racional, priorizando o instinto de possuir o objeto que lhe causou o desejo. Sendo assim, o apaixonado pode transcender seus limites no que tange a razão e, em situações extremas, beira a obsessão.

Essa atração intensa e impetuosa está intimamente ligada à baixa de serotonina no cérebro: substância química (neurotransmissor) responsável por vários sentimentos e patologias, dentre eles a ansiedade e o estresse; a depressão e a psicose obsessiva-compulsiva.

Amor Interpessoal

O Amor Interpessoal se refere ao amor entre os seres humanos. É um sentimento mais potente do que um simples gostar entre duas ou mais pessoas. Sem amor refere-se aos sentimentos de amor que não são reciprocidade. Amor Interpessoal é mais associado com relações interpessoais. Tal amor pode existir entre familiares, amigos e casais. Há também uma série de distúrbios psicológicos relacionados ao amor, como erotomania.

Alguns sentimentos que são frequentemente associados com Amor Interpessoal:

Carinho: sentimentos de ternura e / ou querendo proximidade física


Atração: satisfazer necessidades básicas emocionais


Altruísmo: altruísta ou altruísta preocupação para outrem


Reciprocidade: se o amor é recíproco


Compromisso: um desejo de manter o amor


Intimidade emocional: a troca de emoções e sentimentos


Amizade: o espírito entre amigos


Parentesco: laços familiares


Paixão: desejo constante, sentido via modificação do ritmo cardíaco


Intimidade física: compartilhamento do espaço pessoal e íntimo


A auto-interesse: quando se visa recompensas


Serviço: desejo de ajudar

A sexualidade pode ser um elemento importante na determinação da forma de um relacionamento. Enquanto a atração sexual, muitas vezes, cria um novo vínculo sexual. Esta intenção, quando isolada, pode ser considerada indesejável ou inadequada em certos tipos de amor. Em muitas religiões e sistemas de ética é considerada errada, a maneira de agir sobre desejo sexual para com a família de forma imediata. Como por exemplo: para as crianças, ou fora de um relacionamento empenhado. No entanto, há muitas maneiras de expressar amor apaixonado sem sexo. Afeto, intimidade emocional, partilha de interesses e experiências são comuns nas amizades e amores de todos os seres humanos.


A teoria triangular do amor de Sternberg
Na teoria triangular do amor, os relacionamentos são caracterizados por três elementos: intimidade, paixão e compromisso. Cada um destes elementos e suas combinações entre si podem estar presente em um relacionamento, produzindo as seguintes definições:


Amizade (intimidade)


Limerence (paixão)


Amor vazio (compromisso)


Amor romântico (intimidade + paixão)


Companheirismo amoroso (intimidade + compromisso)


Amor fugaz (paixão + compromisso)


Amor consumado (intimidade + paixão + compromisso)

sexta-feira, 6 de maio de 2011

No Caminho de Emaús

Abrir os olhos

Ele está no meu de nós!

Lucas 25, 13-35


Texto extraído do livro “O avesso é lado certo – Círculos Bíblicos sobre o Evangelho de Lucas” – dos autores Carlos Mesters e Mercedes Lopes.


1. De que estavam falando pelo caminho?

Duas pessoas andando pela estrada. Desanimadas. Tristes! Estavam indo na direção contrária. Fugindo. Buscando. Imagem de ontem e de hoje. Imagem de todos nós. No ano de 85, muitos discípulos e discípulas andavam pelo caminho, tristes, desanimados, sem saber se estavam no caminho certo. No ano de 1998, parece que a cruz ficou maior e mais pesada. O desemprego, a violência, a droga, a falta de atenção séria à saúde e à educação, a falta de dinheiro, as dívidas... o desespero. Sentimo-nos impotentes frente à corrupção que desvia fundos dos cofres públicos, ou frente à má administração que deixa o povo no desamparo. O sistema neoliberal vai gerando cada dia mais exclusões de indivíduos, grupos e países. Parece que vivemos em um caos, em uma situação sem saída. Temos a impressão de estarmos caminhando ladeira abaixo, para o pior.


2. Tinham os olhos vendados

A experiência da morte de Jesus tinha sido tão dolorosa que eles perderam o sentido de viver em comunidade, abandonaram o grupo de discípulos e discípulas. Sentiram-se impotentes diante do poder que matou Jesus e procuraram salvar pelo menos a própria pele. Sua frustração era tão grande, que nem reconheceram Jesus, quando este se aproximou e passou a caminhar com eles (24,15). Tinham um esquema rígido de interpretação sobre o Messias, e não puderam ver a salvação de Deus entrando em suas vidas. Algumas discípulas tentaram ajudar os companheiros a perceber que Jesus estava vivo (24,22-23). Mas eles se recusaram a acreditar (24,24). Esta notícia era por demais surpreendente. Era o mesmo que dizer que Jesus era o vencedor do caos e da morte. Só podia ser fantasia, sonho, delírio de mulheres (24,11). Impossível acreditar! Quando a dor e a indignação pegam forte, há pessoas que ficam depressivas, desesperadas. Outras se tornam coléricas e amargas. Algumas invocam o fim do mundo com catástrofes que vão tirar os maus da face da terra. Outras buscam evadir-se numa oração sem compromisso social e político. Mas nenhuma dessas posturas ajuda a abrir os olhos e analisar a situação com fé lúcida e responsável, capaz de inventar saídas para esta situação aparentemente sem saída.


3. A Bíblia esquentou o coração, mas não abriu os olhos

Caminhando com eles, sem eles se darem conta, Jesus fazia perguntas. Escutava as respostas com interesse. Dessa maneira, obrigava-os a irem fundo no motivo da sua tristeza e fuga. Procurava fazê-los expressar a frustração que sentiam. Depois, ia iluminando a situação com palavras da Escritura. Procurava situas os discípulos na história do povo, para que pudessem entender o momento que estavam vivendo. Foi uma experiência apaixonante. Mais tarde, eles iriam fazer uma reflexão e perceber que o coração deles ardia, quando Jesus lhes explicava as Escrituras pelo caminho (24,32). Mas a explicação que Jesus dava a partir das Escrituras não conseguiu abrir os olhos dos discípulos.


4. Eles o reconheceram na partilha do pão

aminhando com Jesus, os discípulos sentiram o coração arder. Cresceu dentro deles uma atitude de acolhida: “Fica conosco! Cai a tarde e o dia já declina!” (24,29). Foi só então que a partilha aconteceu. Partilha de vida, de oração e de pão. Partilha que abriu os olhos e provocou a mais importante descoberta da fé: ele está vivo, no meio de nós! (24,30-31). Esta descoberta lhes deu forças para voltar a Jerusalém, mesmo de noite. Tinham pressa de partilhar com os outros a descoberta que os fez renascer e ter coragem para enfrentar o poder da morte. Sim, Jesus era de fato o vencedor do caos e da morte! Não era fantasia das mulheres. Era uma realidade escondida, misteriosa, que só pode ser descoberta por quem aprende a partilhar, a se entregar, a sair do círculo vicioso dos interesses egoístas, para lutar junto com os outros pela vida de todos. Quando seus olhos se abriram, livres das trevas e travas por poder dominante, puderam descobrir a morte de Jesus como expressão máxima de um amor sem limites. Amor que tem sua origem no Pai cheio de ternura, gerador incansável da vida. Amor que tomou carne em Jesus de Nazaré para visitar e redimir a humanidade. Amor que se mantém fiel até ao extremo de dar a própria vida, para que todos tenham vida (Jo 10,10). Amor que foi confirmado pelo Pai, quando ressuscitou Jesus da morte.


5. Renascer para uma nova esperança


 Esta experiência fez os discípulos renascerem para uma nova esperança. Ao redor de Jesus vivo, eles se uniram de novo e assumiram o projeto de vida para todos. A esperança é como um motor que leva a acreditar nos outros e a inventar práticas de fé. Com a esperança renovada, aquilo que parecia uma total impossibilidade passou a ter um novo significado para eles. Perderam o medo, superaram a experiência de incapacidade e de impotência. Deixaram de lado o negativismo derrotista e voltaram, em plena noite, como se fosse de dia. Voltaram para recomeçar, para reconstruir a comunidade, expressão, sinal e sacramento da presença de Jesus Ressuscitado.
6. Refazer hoje a experiência do caminho de Emaús

Desafiados pela atual conjuntura, somos chamados a viver hoje a experiência de Emaús e descobrir, na partilha solidária, a presença de Deus no meio de nós. Como comunidade de fé, somos chamados a reconstruir, no diálogo, na abertura e na acolhida, o projeto de Jesus, pelo qual ele entregou sua própria vida. A solidariedade leva à descoberta da força libertadora de Deus na história. Com olhar lúcido e criativo procuraremos expressar esta fé numa solidariedade bem concreta e articulada, seja a nível de grupo, de bairro ou de cidade. Dizer articulada quer dizer que esta ação solidária deve ser comunitária. Só assim será de fato sinal do Reino e poderá intervir em favor da vida, da vida indefesa dos pobres, os preferidos de Jesus.



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